Como parte das comemorações dos 118 anos de Bauru, a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) decidiu transformar o Parque Vitória Régia, palco da megafesta Viva Bauru, em uma sala de aula a céu aberto. Com os olhares atentos, dezenas de crianças, alunos do Projeto Samuzinho, além de famílias que passavam pelo local, puderam aprender as técnicas da chamada massagem cardíaca.
O técnico de enfermagem e um dos coordenadores do Projeto Samuzinho, Thiago Rodrigo Alavarce, explica que a ideia inicial do Samu, quando o projeto foi implantado na cidade, em 2009, era conscientizar as crianças para tentar reduzir o grande número de trotes. “Aí nós começamos a incluir os primeiros socorros e educação ambiental e sanitária”, conta.
As aulas são ministradas quinzenalmente na sede do Samu e têm como público-alvo crianças entre 6 e 12 anos.
Ontem, os alunos puderam compartilhar essa experiência com visitantes do evento Viva Bauru. “Nós decidimos fazer aqui para a população poder aprender a técnica junto com os alunos e conhecer um pouquinho mais do nosso trabalho”, ressalta.
Prática
Para tornar o salvamento mais real, segundo Alavarce, o Samu trouxe para o parque boneco gigante inflável e materiais usados para reanimar pessoas com parada cardiorrespiratória, como respiradores manuais. Na aula, os alunos conheceram os procedimentos de primeiros socorros que devem ser realizados nesses casos até chegada de unidade especializada.
“Hoje (ontem), eles e a população aprenderam a técnica de RCP, que é a massagem cardíaca”, diz.
“É importante para a gente porque quando a gente chega - tem o tempo de deslocamento da hora em que a pessoa liga até a chegada da ambulância -, se já tiver alguém fazendo massagem cardíaca no local, aumenta a chance de vida da pessoa”.
Resultados
De acordo com o coordenador do Projeto Samuzinho, o trabalho realizado com as crianças traz resultados positivos. “No primeiro ano, teve aluno nosso que ajudou a salvar o irmãozinho que estava engasgado”, conta.
“Mas o maior retorno que a gente tem é dos pais. Os filhos chegam em casa falando que aprenderam determinada técnica, o pai passa no sinal vermelho e eles dão bronca”.
Os irmãos Emilly Laisa Martin de Almeida e Thiago Davy Martin de Almeida são gêmeos, têm 11 anos, participaram do projeto em 2010 e, hoje, são monitores e ajudam a multiplicar o que aprenderam nas aulas. Filhos de um funcionário do Samu, eles querem atuar na área médica.
“A gente ajuda a dar aulas, participa dos teatros, ajuda a cuidar das crianças”, revela Thiago. “Eu acho muito interessante porque se alguma pessoa da nossa família passar por um caso que eles ensinam, a gente sabe como fazer”, complementa a irmã.