Tribuna do Leitor

No tempo dos campinhos


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Cadê nossos campinhos de futebol? Onde foi parar a molecada? Pergunta difícil de responder, porém, os fracassos seguidos de nossa seleção têm muito a ver com as peladas que eram jogadas nos tradicionais locais de concentração das crianças, jovens e adultos, que eram os campinhos das vilas. Lembro de alguns desses locais, lotados de meninos felizes, correndo atrás da bola, a qualquer hora do dia, e se fosse noite de lua cheia ali estavam também.


Em todos os bairros da cidade tinha locais para a molecada correr e aprender jogar, existiam os técnicos formadores de times, recordo do seu Roque Sabino, Palmer, Vicente Coruja, Valdir Garmes, Trovão, Bardela, Arlindo, Zé Pretinho, Banha, Bolão, Luiz Mello, Duca e muitos outros. Temos os mairores exemplos que o futebol de base gera vencedores, Pelé e Toninho Guerreiro começaram jogando em campinhos da periferia, cada qual em seus bairros, ganharam notoriedade mundial, um é considerado o melhor jogador do mundo o outro foi pentacampeão paulista, três vezes pelo Santos e duas pelo São Paulo.


Atualmente não há mais locais para a rapaziada extravasar suas habilidades, correr, suar, gastar energias. Nossas crianças, jovens e adultos ficam na virtualidade de computadores, celulares, tvs, plugados 24h em redes sociais. Enquanto isso na Europa e Ásia os meninos estão tentando aprender nossa ginga e habilidades, que são natos de nossa cultura, composição étnica e racial da nossa sociedade, eles, através do futebol força com pouquíssima arte e nenhum gingado, estão suplantando nosso futebol. Quiçá nossos poderes executivos e legislativos voltem suas atenções à formação de jovens talentos através de escolinhas, clubes e que reservem áreas institucionais para campinhos nas vilas periféricas das cidades.

José Eduardo Fernandes Avila,memorialista.

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