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TJSP: presidente recebe dois títulos e diploma

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) instaurou inquérito para apurar duas denúncias de suposta negligência contra a Santa Casa da cidade.

Nos dois casos, mulheres que deram à luz no hospital alegam que o médico dos partos esqueceu compressas (pedaços de material usado em curativos) dentro dos seus úteros. Após sentirem algo estranho, as pacientes retornaram à unidade, onde descobriram o suposto erro.

A primeira ocorrência, envolvendo uma adolescente de 14 anos, chegou ao conhecimento da polícia no dia 21 de julho. Segundo o delegado Adriano Crês, a jovem foi até a delegacia, acompanhada da mãe, e relatou que havia dado entrada na Santa Casa em trabalho de parto e, no dia seguinte, após o nascimento do filho, recebido alta.

“Ocorre que, passado alguns dias, retornou ao hospital, pois estava sentindo algo estranho em seu útero e cheiro muito forte saindo desta região”, revela. “Desta forma, foi novamente internada, onde tomou conhecimento de que o médico responsável pelo seu parto havia esquecido uma compressa dentro do seu útero”.

Ainda de acordo com a versão da adolescente ao delegado, enfermeiros entraram em contato com o profissional, que teria determinado a retirada do material por meio de curetagem. Ela declara que recebeu alta apenas no dia seguinte, após avaliação do médico. “A vítima tentou por todos os meios ter acesso ao seu prontuário, contudo, foi negado pelo hospital sob a alegação de que o médico responsável não o havia assinado”, diz Crês.

Nova denúncia

No dia 28 de julho, o delegado recebeu uma nova denúncia de suposta negligência envolvendo o mesmo médico da Santa Casa de Misericórdia de Pederneiras. Assim como no caso anterior, jovem de 24 anos alega que foi internada na unidade em trabalho de parto e recebeu alta após o nascimento do filho.

Já em casa, após alguns dias, ela conta que expeliu um pedaço de curativo.

“Eu não senti nada. Se Deus não fizesse sair, eu poderia não estar aqui hoje”, afirma. A jovem diz que foi levada de ambulância até o hospital, onde também descobriu que o médico havia deixado uma compressa em seu útero.

Segundo ela, funcionários terminaram de retirar o material que havia ficado dentro do seu corpo. “A enfermeira ligou para o médico e ele passou antibiótico para eu tomar na veia. Eu fiquei de domingo para segunda tomando antibiótico”, relata.

A jovem critica o fato de não ter tido acesso ao seu prontuário.

“Acusar eu não acuso ninguém. Eu só quero saber o que aconteceu dentro do hospital. Eu queria que alguém me dissesse o que aconteceu na minha cirurgia. No dia eu que eu pedi o prontuário, uma moça falou que estava faltando um carimbo, uma assinatura, e que, depois, ela entrava em contato para eu pegar, só que, até agora, ninguém ligou”, reclama.


Consequência possível

O delegado Adriano Crês revela que instaurou inquérito policial para apurar as duas denúncias e notificou a Santa Casa, requisitando as cópias dos prontuários médicos das duas pacientes para a realização de exame de corpo de delito. “Até o presente momento, o hospital não se manifestou”, afirma.

“Se ficar comprovada a negligência médica, o médico responsável poderá responder por lesão corporal culposa (quando não há intenção), com pena de detenção de dois meses a um ano”. Os nomes das duas mulheres e do médico responsável pelos partos não foram divulgados.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Santa Casa e foi orientada a enviar um e-mail. Até o fechamento desta edição, o hospital não havia respondido os questionamentos feitos.

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