A Universidade de São Paulo (USP) doou o novo prédio do Centrinho para o governo estadual. No imóvel de 11 pavimentos, também conhecido como ‘predião’, com mais de 22 mil metros quadrados, ao lado do Parque Vitória Régia, funcionará o sétimo hospital público de Bauru.
A notícia foi dada ontem pelo deputado Pedro Tobias (PSDB), que há tempos discute com a USP e o governo o uso daquele hospital. A destinação (tipo de uso) da unidade, contudo, ainda não foi definida pelo órgão.
A pasta, de acordo com sua assessoria de imprensa, já trabalha no desenho dos tipos de atendimentos que serão prestados no local e na definição do formato de gestão da unidade, que poderá ser, por exemplo, terceirizada a uma Organização Social de Saúde (OSS), como ocorre com o Hospital de Base, Hospital Estadual, Maternidade Santa Isabel e Manoel de Abreu.
Há uma possibilidade, por exemplo, de que a unidade se torne referência em tratamentos para traumas e doenças de pescoço e cabeça. O prédio também foi fortemente adaptado para atendimento a crianças, fator que pode ser considerado para futuras definições.
Não há prazo estipulado para que a secretaria assuma a unidade. A direção do Centrinho, inclusive, informa desconhecer a doação do “predião” para a Secretaria do Estado de Saúde. O JC apurou, no entanto, que a decisão foi tomada pelo reitor da USP, Marco Antonio Zago, e comunicada, nesta semana, a Wilson Polara, secretário adjunto da Saúde em São Paulo.
A doação do prédio é confirmada em meio à crise financeira na universidade que motivou o congelamento de salários dos funcionários, que, por esse e outros motivos, estão em greve.
Em junho do ano passado, o Centrinho também confirmou a queda no número de atendimentos e procedimentos do hospital, motivada, entre outros fatores, por reduções de jornadas de trabalho, mudanças no regime de contratações de profissionais e até a aposentadoria de José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, que tinha grande poder de influência e articulação após 45 anos como superintendente e líder da unidade.
Ganho
Pedro Tobias comemora a doação do prédio do Centrinho para o Estado. “É um ganho para a cidade, que terá seu parque hospitalar ampliado”.
O deputado afirma que participará das discussões sobre a área de atuação da unidade junto ao governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Hospital Escola
O deputado não descarta a possibilidade de o predião funcionar como hospital escola para viabilizar, futuramente, a instalação de uma Faculdade de Medicina. Segundo ele, é uma antiga reivindicação da cidade, que não será abandonada.
O deputado, por outro lado, observou que esse não é o momento de “forçar” esse debate em razão da crise financeira tanto na USP quanto na Unesp, justamente as instituições cogitadas para criar o curso público na cidade.
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Ocupação parcial
O novo prédio começou a ser ocupado pelo Centrinho em novembro de 2012. Dos 11 pavimentos construídos, estão parcialmente ou integralmente ocupados o térreo, o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto e o sétimo andares.
Funcionam no local a Seção de Implante Coclear, o almoxarifado, os laboratórios de prótese de palato e de genética, a rotina de pré-internação de pacientes e os atendimentos ambulatoriais a novos casos de anomalias craniofaciais.
O projeto do hospital é de 1985, assinado pelo arquiteto Jurandyr Bueno Filho. A pedra fundamental do novo prédio foi lançada em 1989 e, um ano depois, foram iniciadas as obras, que foram paralisadas duas vezes (em 1992 e em 2000) por falta de verbas. Em 2008, a construção foi retomada e concluída neste mês.
Discussões com Estado começaram há 3 anos
Secretário estadual de Saúde, David Uip anunciou, em fevereiro deste ano, a retomada do diálogo do governo junto à USP em torno do novo prédio do Centrinho. Ele defendeu que o local poderia abrigar novos leitos hospitalares.
À época, a cidade e a região ainda viviam o reflexo da crise para internações, cujo ápice se deu no segundo semestre de 2013.
O governador, em passagem por Bauru, aprovou a proposta. “Seria muito bom ver aquele prédio atendendo outras especialidades, mas ele pertence à universidade, que tem sua autonomia”, ponderou há pouco mais de cinco meses.
Desde 2011, porém, a transformação do prédio, até então inacabado, em hospital geral vem sendo cogitada, por conta da crise na Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que administrava o Hospital de Base (HB).
Possibilidades
Em março de 2012, o governo do Estado chegou a confirmar que o “predião” seria administrado pela fundação da Faculdade de Medicina da USP e, para que o Estado pudesse repassar recursos para equipar e custear o funcionamento do hospital, a secretaria receberia permissão de uso do local.
Sete meses depois, foi anunciado o recuo à proposta, dois dias depois da confirmação de que a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) passaria a gerir o HB.
