O Centro-dia é um serviço socioassistencial que funciona dentro da Vila com capacidade para atender 30 idosos do município de Bauru, muitas vezes, pessoas que apresentam quadros de isolamento social, vulnerabilidade, abandono ou, por causa da idade avançada, não podem ficar sozinhas em casa enquanto a família está fora durante o dia. Atualmente há 10 vagas.
“Este trabalho é um instrumento que supre a necessidade das famílias que precisam trabalhar, cuidar de crianças. Elas deixam o idoso aqui, ele realiza as suas atividades e os familiares o buscam no final do dia. O familiar é avisado sobre qualquer eventualidade”, explica a psicóloga Cinthia Karina Soares.
Segundo a coordenadora do Centro-dia, Luana Ferrari Nogueira, para o idoso participar é preciso acionar o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), da Secretaria de Bem- Estar Social (Sebes), onde o motivo da solicitação da vaga é explicado e o idoso é avaliado para saber se está apto para participar das atividades oferecidas. A idade mínima exigida é de 60 anos.
Oficinas
Das 7h30 às 17h, inúmeras oficinas são oferecidas para os homens e mulheres que participam do projeto. Contudo, o idoso pode aguardar os familiares até as 18h30. Ele recebe café da manhã, almoço, café da tarde e jantar, além das medicações que eventualmente esteja tomando. Os gastos mensais são custeados pela Prefeitura Municipal e programa ainda conta com terapeuta ocupacional, psicóloga, assistente social, três cuidadoras e uma educadora social.
“Todas as atividades têm objetivos, seja para desenvolver habilidades e/ou resgatar as perdidas. Tudo o que é feito é explicado a eles. O artesanato é exposto e vendido nas edições do Churrasco Vicentino”, completa a coordenadora.
Santiago Bartolomeu Sanches, 91 anos, é uma das simpáticas figuras do Centro-dia. “Sou de 1922, mas até que minha ideia está boa”, diz, com orgulho, depois de cantar e tocar a música “galopeira” em seu cavaquinho e alegrar todo o ambiente.
‘Já vi o mundo na boleia’
Bom de papo, Heliote Aparecido Jorbino é exemplo de superação. Cadeirante desde que amputou os pés por causa da diabetes, ele também sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), mas não se abateu. Animado, ele conta com orgulho suas histórias de caminhoneiro, enquanto mostra com prazer o artesanato que faz no Cetro-dia.
“Faço de tudo na minha casa. Moro sozinho. Gosto de contar minhas histórias para os amigos. Por aqui, todos já ouviram. Já andei o mundo com meu caminhão. Até para a Venezuela eu já fui, acompanhado apenas de meu caminhão e Deus. E tenho muitos causos para contar. Certa vez, meu caminhão quebrou quando estava no Mato Grosso, no meio do mato. Enquanto esperei pelas peças, fiquei 15 dias lá. Sozinho, com fome, sede e medos dos bichos. Imagine”, narra com orgulho.
Um século de vida
Quem também desenvolve suas habilidades manuais e faz amizades no Centro-dia é centenária Maria de Lourdes de Oliveira. Aos 100 anos, ela faz tapetes e domina as agulhas com maestria. Vaidosa, dona Maria não abriu mão de se arrumar para a foto. Qual é o segredo da vitalidade? “Só Deus sabe, minha filha”, e continuou a costurar.
‘Vi a Capital crescer’
Conversar com os idosos da Vila Vicentina é mergulhar no tempo. Aos 73 anos de idade, Paulo Alves da Silva está sempre pronto para contar o que já viu e viveu, enquanto dribla o mal de Parkinson e pinta caixas de madeira com riqueza de detalhes.
“Por aqui a gente conversa e se distrai enquanto aprende os ofícios. Eu gosto de contar o que já vi. Já fui cabeleireiro, pedreiro, lavrador... Sou baiano, e vim para Bauru na década de 1970 trabalhar na lavoura. Mas, antes disso, na década de 1950, eu morei em Brasília e acompanhei o crescimento da Capital. Participei dele”.