Regional

Floresta ocupa a cena regional

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A região de Bauru já foi prospectada para ser um polo de citrus, mas inúmeros obstáculos não deixaram a ideia vingar. A pecuária de corte e de leite não é considerada bom negócio. A cana passa por um momento difícil e o café está “fugindo” para Minas Gerais. Aos donos de terras da região restou o cultivo de eucalipto e pinus, focados em duas grandes empresas instaladas em Agudos e Lençóis Paulista.

As plantações de florestas comerciais já tomam conta de grandes extensões em direção a São Paulo, Marília e Ipaussu, comenta o presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região, Maurício Lima Verde. “Eles estão entrando em todo lugar. A madeira tinha uma limitação que era estar plantada a 150 quilômetros da indústria, caso contrário, ela ficava onerosa. Mas isso mudou. Eles estão buscando madeira onde tiver. A muda de eucalipto não existe para comprar.”

Lima Verde ressalta que o produtor rural da região não tem outro tipo de agricultura que ofereça o retorno pelos valores da terra, pelo capital empenhado. “Hoje, o alqueire (1.200 metros quadrados) sem nada vale de R$ 35 mil a R$ 40 mil (1.200 metros quadrados). Quando ele arrenda ou vende para o pessoal da floresta, obtém uma renda razoável.”

Para o presidente do sindicato, o arrendamento de terra se tornou um bom negócio para o agricultor. “A madeira hoje está dando de R$ 2 mil a R$ 3 mil por alqueire/ano. Você não tem que fazer nada, só recebe o valor do arrendamento em casa. Um pecuarista que conheço arrendou, para uma empresa de Lençóis Paulista, 500 alqueires. Tem agricultor arrendando de 10 a 15 alqueires. Outro que tinha plantação de cana arrendou cerca de 25 alqueires para a empresa de Agudos.”

‘Vai virar’

Como toda moeda tem os dois lados, a silvicultura (“povoamento florestal”) também tem o lado menos glamoroso. O lado social, enfatiza Lima Verde. “A cultura do pinus e eucalipto com toda a tecnologia é onerosa socialmente. Não usa mão de obra no plantio e nem na colheita. Tudo é feito com máquinas. A nossa região vai virar uma floresta. Aqui tinha cana que quando podia empregava. O pessoal não está vendo o problema social que vai acontecer daqui para frente. Com esses milhares de trabalhadores que não vão ter emprego na agricultura.”  O trabalhador rural é uma espécie em extinção.

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