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Lima Verde diz que isotônico toma espaço do suco |
A região de Bauru já produziu 10% da laranja de São Paulo em 2008. A previsão era de que em quatro anos, quando os pomares estariam adultos, o percentual seria de 25%, segundo estimativas da Citrisul (uma associação que estava em formação e concentraria produtores de ao menos 37 municípios da região).
A expectativa era fazer da região um grande pomar. A aposta não vingou por vários motivos e, agora, a esperança é de que se transforme em uma grande floresta.
A região tornou-se atrativa à época porque era livre de uma doença, o greening que ataca os laranjais. O preço da terra que era bem inferior ao praticado na região tradicional da laranja. O clima, distribuição de chuva, figurou como ponto favorável, assim como o ratio, que é a relação entre o açúcar e a acidez da terra.
A migração da laranja para a região foi fator fundamental para a valorização do preço da terra. Em 2004, o valor do alqueire era R$ 10 e em quatro anos saltou para R$ 20 mil, em função do interesse pelo citrus.
O presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região, Maurício Lima Verde que, à época, lutou para que uma moedeira da fruta fosse instalada na região, faz agora uma análise. “A laranja não é um bom negócio hoje. Dou graças a Deus que não seguiram meu conselho. Não teve grandes plantações na região de Bauru e a moagem não se instalou por aqui.”
Lima Verde emite a opinião baseada em dados. “As usinas de processamento de laranja estão praticamente falidas no Estado de São Paulo. Cerca de 70% delas não estão funcionando. As que estão, fazem pagamentos atrasados. No ano passado foram jogados no chão 100 milhões de caixas da fruta porque não compensava colher. As usinas pagavam R$ 7 a saca e ela tinha um custo de R$ 14.”
À época, especialistas apostavam que a produção de laranja estimularia o mercado de fretes, uma vez que as distâncias entre a fazenda e as fábricas de suco variavam entre 200 a 300 quilômetros. Cada 100 alqueires, previam, geraria 726 fretes com preço médio de R$ 600,00 cada.
Produção
Este ano, a colheita deve girar em torno de 300 milhões de caixa. “O preço melhorou um pouco. As usinas estão pagando de R$ 13 a R$ 14. Mesmo assim não compensa investimentos na laranja. Por isso não vemos laranjais novos. O grande problema da laranja é que as indústrias estão fazendo pomares próprios. Elas detêm 50% da produção. Foram elas que prostituíram o mercado. A laranja para o produtor se tornou um mal negócio.”
Na opinião dele, a queda no consumo foi um dos motivos que fez o produtor desistir. “De uns anos para cá o consumo internacional caiu. O preço do suco ficou lá embaixo porque diminuiu demais o consumo nos Estados Unidos, que é o maior comprador. Os jovens americanos trocaram o suco de laranja por isotônicos.”
Outro item desanimador para o setor é que no Brasil a laranja está no meio de um cartel. “Tem três grandes compradores. Os demais eram todas moedeiras que foram fechando. Eles dominam o mercado e determinam quanto que vão pagar pela caixa.”
