Nem o apóstolo Marcos, talvez, pudesse profetizar que em algum período da era cristã a evangelização seria, literalmente, sem fronteiras. Em Bauru, assim como em outras paróquias e denominações religiosas, o Facebook também está sendo utilizado em larga escala para levar a “Boa Nova do Evangelho”.
É o sinal dos tempos por outro prisma, onde, no século XXI, párocos adotam pela plataforma eletrônica da rede mundial de computadores a mais abrangente manifestação do que está escrito no Evangelho do apóstolo Marcos, no capítulo 16, versículo 15: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”.
E a ferramenta e o verbo, na prática, mudaram a rotina também na Diocese de Bauru. Sacerdote há 18 anos e há 13 meses atuando na paróquia São Sebastião, Carlos Henrique Andrade Siqueira, dedica “religiosamente” um tempo às atividades com batina e em frente ao computador.
Adepto da moradia no campo, o padre caipira-urbano publica frases, pensamentos, ideais teológicos, reflexões e mensagens com vertente positivista em sua página no Facebook. “Eu tinha parado um tempo com o Facebook, porque recebi umas visitas em minha página com certa inferferência em minha vida pessoal e isso me deixou chateado. Mas o fato é que a ferramenta virtual é um instrumento utilizado por muita gente e deixar de utilizá-la seria não chegar a muita gente, então voltei”, diz.
O padre, então, mudou a postura no uso da página virtual. ”Adotei que na página não coloco nada de vida pessoal, nem uma foto sequer des cansando que seja. Eu moro em uma área rural e gosto muito. Mas dedico algumas horas periódicas, ao longo da semana, para divulgar mensagens bíblicas e conversar ou ouvir pessoas, ou dar retorno, pelo Facebook”, acrescenta.
Carlos Henrique conta, com entusiasmo, os retornos que vem recebendo. “Outro dia publiquei uma mensagem sobre um problema de vida e logo vieram dezenas de curtidas. E, entre os comentários e compartilhamentos, uma cristã escreveu: ‘Padre o senhor colocou no Face o que eu queria ouvir’. Então veja, mesmo que não tivessem outros comentários, só por esse alcance já valeu”, conta.
O pároco reconhece a comunicação virtual como meio de localização de conhecidos distantes. “Encontrei pelo Facebook um colega do período do grupo escolar. Isso é fantástico. Eu também faço pesquisa de mensagens religiosas e vou montando meu banco de dados por assuntos para ir publicando na minha página. Mas eu sou fiel ao autor. Se a frase ou mensagem tem identificação eu coloco a identificação”, menciona.
Para o padre Carlos Henrique, a “o templo religioso sempre será a Casa de Deus e onde os cristãos devem manter o compromisso com Deus. Mas o ambiente eletrônico pela Internet também pode e deve ser utilizado para rezar, evangelizar, meditar, pensar na fé e orientar cristãos”, complementa.
Na última segunda-feira, dia dos padres, Carlos Henrique foi bastante lembrado por conhecidos e amigos via Facebook. Ao longo da semana, por exemplo, ele postou mensagens sobre os “sete pecados capitais”, os mandamentos da igreja e ainda um vídeo bem regionalista sobre as vantagens da vida caipira, no campo. O vídeo era identificado como “Mundão véio sem porteira”.
Conselheiro virtual
Padre Giuliano Alamino é das paróquias São Judas Tadeu, São Dimas e Santuário Nossa Senhora de Fátima. Quando ele foi ordenado, há oito anos, o Facebook já existia. A plataforma completou 10 anos em abril passado.
“Tenho o Facebook particular e também o da paróquia. Toda semana postamos a mensagem deixada nas missas dos finais semana. Uma proposta de vivência para a semana a partir da homilia dominical. São mensagens de coragem, de fé”, conta.
Segundo ele, o atendimento on line é intenso. “São pedidos de orações, de visitas, pedidos materiais, de alimentos para doações. O atendimento para aconselhamento espiritual é muito comum. Apesar do encontro on line não substituir totalmente o encontro pessoal, muitas pessoas estão carentes de palavras de ânimo, palavras de fé, de um desabafo. O Facebook pode ser uma ferramenta”, defende.
Assim, padre Giuliano Alamino comunga da posição dos colegas internautas. “Hoje, o Facebook é uma das ferramentas que usamos para levar a palavra de Deus, incentivar a solidariedade, propagar o bem, além interagir com nossos fiéis. Oportunidade de mostrar que a força do bem, do amor é muito maior que a força do mal tão propagada pelos meios de comunicação. Meu uso do Facebook é diário na evangelização”, menciona.