Tribuna do Leitor

Greve na Unesp: irresponsabilidade e mistificação


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A greve de trabalhadores docentes e técnico-administrativos na Unesp já dura quase três meses e nesse período a "vice-reitora no exercício da Reitoria" (uma invenção jurídica) tem demonstrado um total descaso para resolver a situação. Alegando "excessivo comprometimento financeiro", vem acenando com 0% e recusa-se a dar reajuste salarial na data-base das categorias. Esse argumento não apresenta consistência e os números são modificados constantemente pela Assessoria Financeira que manipula os dados e apresenta somente as informações que justificam a falaciosa crise financeira, apontando para um cenário catastrófico na economia sem embasamento concreto. A mesma Assessoria Financeira fez a peça orçamentária da Unesp no ano anterior, na qual constavam 3,415% de reajuste para os trabalhadores docentes e 5% de pagamento da segunda parcela de equiparação salarial para os servidores técnico-administrativos, em acordo celebrado para o término da greve em 2013. A "vice-reitora no exercício da Reitoria" comunicou às entidades sindicais que esses compromissos não serão honrados. O descalabro vai às raias da estupidez ou mentira deslavada. O Cruesp (composto pelos reitores das universidades públicas paulistas - Unesp, USP e Unicamp), quando convidado pelo presidente da Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento da Assembleia Legislativa para uma reunião junto com as entidades sindicais (Fórum das Seis) para discutir e buscar a solução para a alegada "crise financeira", comunica que não vai comparecer, pois a "vice-reitora no exercício da Reitoria" e presidente do Cruesp estará em férias! Ou seja, se não há dinheiro, como alegado pela "vice-reitora no exercício da Reitoria", por que não ir a uma reunião que discutirá possíveis soluções? Ela quer manter a greve e aprofundar a crise na Unesp? Tem receio de ser questionada e desmascarada em relação ao orçamento? Tem medo de apresentar as contas reais da Unesp? Ou realmente não tem estofo para ser dirigente de uma universidade do porte da Unesp? Ações dessa natureza, aliadas à falta de transparência dos números na Unesp, colocam em xeque a credibilidade dessa gestão. Mais ainda, questionam a sua capacidade de gerir a universidade. Reitor que não negocia, renuncia!

Comando de Greve Unificado - Unesp/Bauru

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