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Estado poderá assumir o Centrinho

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Arquivo/Quioshi Goto

Fundado há 47 anos, Centrinho corre risco de ser desvinculado da universidade

Após a confirmação do secretário de Estado da Saúde, David Uip, de que a Secretaria de Saúde receberá o “predião” do Centrinho para transformá-lo em novo hospital público de Bauru, surgem especulações de que a Universidade de São Paulo (USP) poderá transferir, integralmente, a gestão do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais ao governo do Estado de São Paulo.

De acordo com publicação do jornal Folha de S. Paulo de ontem, a medida faria parte de um plano, ainda em fase de análise, visando minimizar a crise financeira vivida pela universidade, que tem 106% de seu orçamento comprometido com folha de pagamento.

A Secretaria do Estado de Saúde, que assumiria o Centrinho, não confirma a informação. A assessoria de imprensa do hospital, por sua vez, não respondeu aos questionamentos do Jornal da Cidade, com a alegação de que não conseguiu contatar a superintendente da entidade, Regina Amantini.

Diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), Maria Aparecida de Andrade Moreira Machado garante não ter recebido, da reitoria da USP, qualquer informação oficial sobre a transferência do Centrinho ou mesmo do “predião” para o governo paulista.

“Agora, estamos passando por um momento tumultuado (em função da greve de docentes e funcionários, também motivada pela crise). Mas, assim que possível, vamos procurar a reitoria para esclarecer a posição da universidade à nossa comunidade e à população em geral”, afirma a diretora.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da reitoria da USP por telefone e não foi atendida. E-mails também não foram respondidos.

O JC, contudo, apurou junto a fontes da universidade que a possibilidade de transferência do Centrinho para o Estado já havia sido aventada, mas de forma “extemporânea e inconclusiva”.

À Folha, um auxiliar do governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou, reservadamente, “que o Estado não cogita aumentar o percentual da arrecadação destinado à USP para não prejudicar outras áreas sociais”. O governo, contudo, cogita “ajudas pontuais” à universidade.

Precariedade

Conforme publicou a Folha de S. Paulo, o plano para redução de gastos da USP incluiria também a transferência para o Estado do Hospital Universitário, localizado na zona Oeste de São Paulo, e de um centro de convenções, cujas obras estão inacabadas.

O texto ao qual a publicação teve acesso teria sido elaborado pela administração da universidade.

A justificativa para sugerir que o governo passe a gerenciar o Centrinho e as demais estruturas está na impossibilidade de contratação de pessoal e de novos investimentos. O cenário causará “críticas públicas à medica que a precariedade do serviço aumente nos próximos meses”. Em junho do ano passado, o Centrinho já confirmava a queda no número de atendimentos e procedimentos do hospital, motivada, entre outros fatores, por reduções de jornadas de trabalho, mudanças no regime de contratações de profissionais e até a aposentadoria de José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, que tinha grande poder de influência e articulação após 45 anos como superintendente e líder da unidade.


Tobias é contra transferência

Na semana passada, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) comemorou a confirmação de que o governo paulista assumiria o “predião” do Centrinho.

Ontem, no entanto, o parlamentar posicionou-se contrariamente à gestão do hospital do Centrinho pelo Estado. Segundo ele, esse já foi o destino da grande maioria das unidades vinculadas a universidades.

“Não vejo vantagem na transferência. Acredito que o Centrinho de Bauru alcançou o nível de excelência que tem hoje devido à sua autonomia. Foi graças a ela que a administração do hospital pôde investir pesado em estudos e pesquisas que garantiram a oferta de tratamentos altamente especializados. Foi assim que o hospital virou uma referência nacional e internacional”.

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