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Voluntários desenvolvem novo perfil

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo

Representantes das entidades e autoridades na Fazendinha do JC

Os voluntários das entidades assistenciais não são mais os mesmos desde que tiveram de conviver com a exigência de profissionalização do atendimento no setor. Eles estão cada vez mais comprometidos com o trabalho e muitos deles, inclusive, participam de cursos de capacitação. Esta constatação foi feita pelo secretário adjunto de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, Henrique Almirates Júnior, durante um almoço em homenagem às instituições de Bauru e região, ontem, na Fazendinha do JC.

Esta necessidade de profissionalização nas entidades ocorreu após uma tendência de descentralização a partir da década de 80. “Com a descentralização, houve ampliação no atendimento, fato que exigiu um trabalho mais meticuloso”, explica Almirates.

Ele acrescenta ainda que a exigência de um maior aprimoramento na área abrange tanto os profissionais remunerados quanto os voluntários, fazendo com que ambos tenham a mesma responsabilidade diante do trabalho.

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) concorda com a opinião de Almirates. Tobias defende arduamente o trabalho dos voluntários, já que eles o fazem sem obrigação alguma. “Uma entidade que ajuda usuários de drogas de um determinado bairro precisa de voluntários que morem nesta região, não de um funcionário remunerado que chegue, fique pouco tempo e vá embora”, exemplifica o deputado.

Profissional

Para atender a demanda, o governo do Estado instituiu o programa SP Voluntário por meio do decreto 59.870, datado de 5 de dezembro de 2013. O projeto, inclusive, proporcionará cursos de capacitação sobre gestão do terceiro setor para gestores remunerados e líderes de voluntários em entidades. “Nós pretendemos colocar a ação em prática em todo o Estado a partir de setembro deste ano”, adianta a diretora do programa, Raquel de Avila.

Quanto à necessidade de profissionalização por parte do voluntariado, esta é uma exigência prevista na Política Nacional de Assistência Social (PNAS), pertencente ao Sistema Único de Assistência Social (Suas), que teve suas bases de implantação consolidadas em 2005.

“Hoje a assistência social é uma política nacional, não é mais uma benesse”, reitera a diretora técnica regional da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (Drads), Maria Perroni.

Porém, as exigências poderiam até espantar os interessados em ajudar. Jéferson Campos, presidente da Associação das Entidades Assistenciais de Bauru e Região (Aeaps), garante que o contraponto não é visto na prática. “Quem tem a intenção de ajudar não foge diante da necessidade de um trabalho mais meticuloso”, diz. Ele pondera que aqueles que não dispõem de tempo para profissionalização podem participar de outras ações, como doação de alimentos.


Almoço reúne entidades e voluntários da região

Tudo começou e terminou com uma grande festa. Ontem, na Fazendinha do JC, 64 entidades e voluntários de Bauru e região (veja quadro abaixo) participaram de um almoço e receberam o reconhecimento da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado.

“Com a aproximação do dia 28 de agosto, que é Dia Nacional do Voluntário, e o apoio do JC, nós aproveitamos o momento para reconhecê-los”, afirma Almirantes.

Jéferson Campos, da Aeaps, defende que o reconhecimento por parte do órgão estadual indica que os voluntários e as entidades de Bauru e região estão no caminho certo. “O reconhecimento é mais importante para as instituições do que para aqueles que trabalham sem remuneração”, complementa Campos.


Três áreas

Rodrigo Agostinho também marcou presença no almoço. De acordo com ele, a Prefeitura Municipal de Bauru investe quase R$ 40 milhões por ano em entidades, que abrangem três grandes áreas: educação, assistência social e saúde. “O município investe nas entidades, porque elas atendem praticamente todos os setores carentes da sociedade”.


 

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