Ao falar publicamente pela primeira vez desde a morte do marido Eduardo Campos, a viúva Renata Campos disse nesta segunda-feira (18), no Recife, que a partir de agora dará prosseguimento aos sonhos e projetos do ex-governador pernambucano. "Participei a vida inteira de campanha, não será diferente com essa. Com uma diferença: tenho que participar por dois", disse Renata, apontada como possível candidata à vice na chapa do PSB na disputa à Presidência. "Depois de todos esses anos sabendo que muitas coisas precisam ser feitas ainda, precisamos garantir essa vitória para esse sonho ir adiante", acrescentou Renata, acompanhada de três, dos cinco filhos.
O presidente da sigla, Roberto Amaral, disse que com a morte de Eduardo Campos, Renata passou a ser "a grande liderança do PSB". "Depois de Arraes e de Eduardo, nosso partido tem uma nova liderança. Essa liderança magnífica que é a alma do nosso partido, das nossas entranhas, que representa o povo brasileiro. A grande liderança do partido é Renata Campos", discursou. "Quem olhar para Renata, verá Eduardo comandando a campanha", acrescentou o presidente do partido. "A maior prova de amor por Eduardo, será fazer o que ele desejava, que era eleger o novo presidente do Brasil e o novo governador de Pernambuco".
Aparentando timidez, Renata optou por ler um discurso previamente pronto. Agradeceu o apoio e as manifestações de carinho dos pernambucanos e ordenou aos correligionários que mantenham "tudo como Eduardo deixou".
Em evento de campanha para o governo de Pernambuco, várias lideranças do PSB usaram a morte de Eduardo Campos como mote eleitoral do partido. "Nosso líder, nosso guerreiro não morreu. Ele está vivo nos nossos corações", discursou Fernando Bezerra Coelho, candidato ao senado pelo PSB. "A partir de agora, quem não está com Paulo Câmara não está com Eduardo Campos", acrescentou o próprio Paulo Câmara, candidato do PSB ao governo do estado.
No último final de semana, o presidente do PSB antecipou que o primeiro programa eleitoral do partido na televisão e no rádio, que começa a ser veiculado amanhã, será "plástico" em homenagem à memória do ex-presidenciável, que morreu no último dia 13, em um acidente aéreo na cidade de Santos, em São Paulo.
Líder do PSB diz que Albuquerque é o 'mais provável' para vice de Marina
Líder do PSB, o senador Rodrigo Rollemberg (DF) disse nesta segunda-feira (18) que o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) é o nome "mais provável" para ser anunciado candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva (PSB) à Presidência. Segundo Rollemberg, Albuquerque reúne "todas as características" exigidas pela sigla para formar a chapa com Marina.
O PSB defende que o vice seja alguém "orgânico" do partido, com experiência e tempo de sigla, além de ter proximidade com Campos e com Marina. Essas características excluiriam o ex-deputado Maurício Rands (PSB-PE), que mantém forte ligação com a família de Campos, mas se filiou ao PSB depois de um longo histórico no PT.
Além disso, o PSB considera que Beto Albuquerque foi para o "sacrifício" ao lançar seu nome ao Senado no Rio Grande do Sul. Seria uma forma de compensá-lo, já que ele está com chances remotas de se eleger no Estado. "Ele tinha uma eleição tranquila para deputado, mas abriu mão para se colocar ao Senado em nome do projeto do Eduardo", disse Rollemberg.
O partido ainda não excluiu a possibilidade de Renata Campos, viúva de Eduardo, entrar na disputa como vice de Marina. Mas ela sinalizou a integrantes do PSB que não pretende lançar seu nome diante do desafio de criar os cinco filhos com o ex-governador de Pernambuco, morto semana passada em um acidente aéreo.
O mais novo dos filhos, o bebê Miguel, de sete meses, tem Síndrome de Down."Certamente, a Renata será ouvida porque ela tem um papel muito importante nesse processo. A opinião dela é de muita importância. Tem que ser alguém que acredita nesse projeto do Eduardo desde o início", afirmou Rollemberg.
O líder disse que não há resistências no PSB com a escolha de candidatura de Marina, mesmo com a possibilidade real dela deixar a sigla quando conseguir criar a Rede de Sustentabilidade, partido idealizado pela ex-senadora.
"Não podemos cobrar da Marina o que não foi compromisso. Ela veio ao PSB como Rede. Tivemos essa tragédia toda e ela é a substituta natural. O partido tem que construir essa unidade", afirmou o líder.