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Após registrar a umidade relativa mais do ar mais baixa do ano, de 9,8%, Bauru sofreu com vários incêndios consecutivos entre domingo e ontem. O Corpo de Bombeiros atendeu, em apenas 48 horas, 30 ocorrências em diversos pontos da cidade. A corporação considera a “onda” como uma das mais intensas de queimadas em 2014.
A área atingida nos dois dias é de, aproximadamente, 320 mil metros quadrados, equivalente a mais de 40 estádios de futebol. Deste total, cerca de 60 mil metros quadrados queimados é de uma fazenda localizada às margens da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga, na altura do acesso ao Aeroporto Moussa Tobias. A suspeita é de ato criminoso, ainda a ser investigado pela Polícia Civil.
Como o reflexo dos focos de incêndio em massa na cidade, uma “cortina” de fumaça branca se formou no início da tarde de ontem e permaneceu, principalmente, sobre a rodovia Marechal Rondon (SP-300), na altura do acesso à avenida Cruzeiro do Sul (nos dois sentidos), obrigando os motoristas a redobrarem a atenção. Apesar da visibilidade prejudicada no trecho, o Policiamento Rodoviário não registrou acidentes nesse horário.
Segundo os bombeiros, as ocorrências registradas variaram entre incêndios de grande, média e pequena proporção. Entre os bairros mais atingidos estão o Mary Dota, as imediações da Chácara das Rosas (região do Ferradura Mirim), altura da quadra 21 da Cruzeiro do Sul, imediações do Horto Florestal - que ontem teve cerca de 8 mil metros quadrados de mata queimada - e proximidades do Vale do Igapó.
Mobilização
Tanto fogo assim mobilizou muita gente. As três viaturas dos bombeiros não pararam desde domingo. “Somando o pessoal de apoio da operação ‘Corta Fogo’, são quatro viaturas e cerca de 20 homens combatendo os incêndios o dia todo”, observa o 1º tenente Mário Augusto Damiati, oficial de relações públicas do 12º Grupamento de Bombeiros.
Somente em 24 horas, ainda de acordo com Damiati, Bauru registrou 11 ocorrências de incêndio, incluindo uma residência no Parque Jaraguá, no início da tarde de ontem (leia mais na página ao lado). “Em média, nos dois dias, foram gastos 90 mil litros de água para combater as chamas”.
“As causas são as mesmas de sempre: pessoas fazendo ‘limpezas’ em terrenos, bitucas de cigarros e até carvão. Muitos jogam no mato ainda aceso, pensando que está apagado”, critica o tenente. O problema é antigo e contínuo. “No ano todo, registramos 713 casos de incêndios em mata e 53 ocorrências em imóveis”, completa.
Bauru ou atacama?
Bauru registrou, neste domingo, o menor índice de umidade relativa do ar do ano: 9,8%, atingindo, assim, estado de emergência (veja quadro ao lado). Ontem, a melhora foi modesta e o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp confirmou 12% de umidade.
Vale lembrar que não chove em Bauru desde o dia 13. Os dados da umidade colocam o munícipio em clima mais seco do regiões desérticas. Para ter uma noção, o Atacama, no Chile, considerado o deserto mais seco do mundo, registrou 12% no dia 6 deste mês, enquanto em Bechar, na Argélia, no meio do Saara, o índice foi de 14% - mais alto que ontem em Bauru.
Em tempo: o problema não foi restrito a Bauru. Outras cidades do Interior sofreram com queimadas.
Estradas
Devido ao aumento de incêndios e os baixos índices de umidade relativa do ar registrados no Estado de São Paulo neste mês, a Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart) reforçou a operação “Corta Fogo”, que tem como objetivo a redução de incêndio às margens das rodovias.
De acordo com indicadores da campanha, o número de focos de queimadas e incêndios florestais detectados por satélite entre janeiro e 4 de agosto deste ano foi 113% maior que no mesmo período do ano passado. Ainda segundo as pesquisas, o Corpo de Bombeiros atendeu 127% de chamados a mais, comparado ao mesmo período de 2013.
A campanha de conscientização, que teve início em junho e segue até outubro, foi lançada pela Agência Reguladora dos Transportes do Estado de São (Artesp), em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil Estadual, entre outros órgãos públicos.
A concessionária já distribuiu 5 mil folhetos educativos nas praças de pedágios na região de Presidente Prudente e Assis.
Abastecimento
O Rio Batalha, que abastece 40% da população de Bauru, atingiu ontem o nível mais baixo do ano: 2,01 metros. O menor índice medido em 2014 havia sido no início deste mês, quando chegou em 2,05 metros, segundo informou o Departamento de Água e Esgoto (DAE), por meio de assessoria de comunicação. Cerca de 150 mil habitantes (aproximadamente 38% da população) sofrem com o desabastecimento.
Com um caminhão-pipa de 8 mil litros e dois de 15 mil, o DAE garante atender a demanda de falta d’ água na cidade, mas orienta para que os consumidores utilizem água de maneira adequada e evitem o desperdício.
Vem chuva por aí?
De acordo com o meteorologista Thiago Ferreira, do IPMet, uma frente fria vinda do Sul do País deve amenizar um pouco o tempo seco em Bauru hoje. Contudo, a probabilidade de chover é pequena. “É possível que a umidade chegue a 20% amanhã (hoje)”.
“Existe previsão de chuvas mais para as regiões Sul, litoral e Leste”, apontou, complementando que, se tiver alguma precipitação em Bauru, hoje, será rápida e isolada.
Orientações
Diante da baixa umidade relativa do ar registrada na cidade, o médico Luiz Antônio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, aponta que a população deve tomar algumas precauções como evitar exercícios e esforços físicos sob o sol forte e consumir água em excesso para que sejam evitados qualquer tipo de problemas respiratórios e desidratações em geral.
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