Geral

Sessão de hoje: diversão não tem idade

Mariana Gasparini
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Quando o filme começou, a atenção se dividiu entre a telona e a pipoca

“A última vez que eu fui era uma matinê”. A frase foi dita por Hilda Feliciano, de 84 anos, assim que entrou no ônibus para ir ao cinema na tarde de ontem. Ela e mais um grupo de idosos agitaram a entrada da Vila Vicentina, na Vila Engler, em Bauru. Apesar de algumas limitações físicas, a maioria se transformou em criança indo em direção ao veículo que os levaria para uma sessão no Cine ‘n Fun, no Alameda Quality Center.

A ação social, realizada pela empresa de transporte rodoviário Reunidas em parceria com o Alameda, fez parte do “Dia de Fazer a Diferença”, comemorado ontem (leia mais abaixo). “Nossa intenção é de, realmente, fazer a diferença na vida das pessoas. Todos os anos, escolhemos alguma ação para realizar e trazer um pouco mais de alegria para os outros”, explicou Rosana Fava Marinho, gerente de Recursos Humanos (RH) do Grupo Reunidas, que ofereceu o transporte, pipoca e bebidas para todos.   

Para este ano, os asilos Vila Vicentina de Bauru e de Agudos foram os escolhidos para viver um dia diferente.

Ao todo, 75 idosos foram ao cinema assistir ao filme “O que Será de Nozes”, um desenho animado que conta a história de um esquilo que vai em busca de alimento para suportar a escassez do inverno.

Diante da telona

Na chegada ao local do filme, o brilho no olhar e alegria estampada no rosto tomaram conta de todos. “Viva!”, bradou uma das senhoras que saiu do ônibus. Todos bem vestidos e ansiosos rumo a algo quase que “desconhecido”. “Faz muitos anos que não venho ao cinema. Isso é fantástico. Estou muito feliz”, disse Paulo Scriptore, 67 anos.

Acompanhados por uma terapeuta ocupacional, uma educacional, alguns cuidadores e uma assistente social, todos os idosos ficaram bem acomodados nas poltronas. Algumas cadeiras de roda se “transformaram” em poltronas do cinema, mas ninguém sequer se importava.

“Ações deste tipo são muito importantes para eles. Isso movimentou o dia (na Vila Vicentina) e fez com que eles se arrumassem. Além da autoestima elevada, a cultura e o lazer dessas pessoas acabam sendo incentivados”, comentou Suelen Cristina Bueno de Camargo, assistente social responsável.

Na hora do filme, a agitação foi tomada pelo silêncio. Olhos atentos a cada movimento da tela e mão na pipoca. Risadas e diversão foi o resumo do dia para estes idosos, que conseguiram ter um dia diferente. “Para eles, esta é a prova de que existe um mundo lá fora. Muitos não têm condições de sair ou não têm família. E esta foi uma oportunidade que fará a diferença na vida de cada um deles”, finalizou Suelen. 


Dia comemorativo

Muitos podem nem saber mas, desde 1992, o “Make a Difference Day” (Dia de Fazer a Diferença) surgiu nos Estados Unidos através do jornal USA Weekend em parceria com o Points of Light Foundation, maior organização voltada ao voluntariado no mundo.

Desde 2006, este dia chegou ao Brasil e, a partir daí, várias ações sociais - com o objetivo de fazer a diferença na vida das pessoas -  vêm sendo realizadas por todo País     

A data é considerada um dos maiores eventos de mobilização para ações sociais simultâneas do País e conta com a participação de milhões de voluntários.

Comentários

Comentários