Regional

Cine São José é reinaugurado

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

Atualmente, cine reativado é o Espaço Cultural Francisco Paulovic

Após mais de 30 anos, o Cine São José é reaberto em Cafelândia (83 quilômetros de Bauru). Toda pequena cidade tem uma história meio parecida com o filme italiano Cinema Paradiso. A ascensão e o desaparecimento da única sala de projeção de filmes de uma pequena cidade da Sicília quando da chegada da televisão deixou marcada no inconsciente coletivo de qualquer comunidade. É bem isso o que ocorre Cafelândia, quando no final dos anos 80 a única sala de projeção se inviabilizou como negócio, principalmente devido a concorrência televisiva. No último sábado, no entanto, a prefeitura conseguiu “ressuscitar” o antigo cinema no atual Espaço Cultural “Francisco Paulovic”.

“É um sonho do prefeito”, emenda a secretária de Cultura, Rita de Cássia da Silva Ramos, com ar de satisfação, ao contar como resgatou o local que, no passado, foi a principal atividade de lazer dos cafelandenses.

E, atualmente, há outro fator que está matando o cinema nos pequenos municípios brasileiros: a digitalização que substituirá os antigos projetores a carvão. No Brasil existem atualmente 2.530 salas de cinema, sendo 750 dessas atualizadas com projeção digital, segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), do Ministério da Cultura. De acordo com a lei 12.599, de 23 de março de 2012, que institui o Programa Cinema Perto de Você, a expectativa é que até o fim de 2014 todas as salas de cinema sejam digitais. Quem não aderir a nova tecnologia só exibirá antigos filmes de película 35 milímetros, já que os novos não estão mais sendo produzidos desta maneira.

A cidade de Cafelândia conseguiu com apoio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo o repasse de R$ 152.831,75 e contrapartida do Município  de R$ 88.411,25, para a compra do novo projetor de última geração, igual ao instalado nos melhores cinemas de todo País, explica a secretária.

O antigo São José parou de funcionar no final de 1980, mas ainda houve uma tentativa de reabri-lo em 2004 também na gestão de Luis Otávio Carvalho, mas não teve continuidade pelas dificuldades comerciais.

O prédio é uma antiga casa de espetáculos. A partir de 1942 passou a exibir filmes e sob administração privada sobreviveu até o final dos anos 80, quando ocorreu a decaída das salas de cinema das pequenas cidades.

Segundo Rita Ramos, o objetivo de voltar a exibir filmes é o de democratizar o acesso ao lazer e à cultura. “Muitos cidadãos não têm condições de se deslocar para outras cidades para assistir aos filmes de lançamento”, diz.

Na reinauguração, com presença de autoridades municipais, foi exibido “Transformers 4” e, nesta semana, em sessões reservadas às crianças “Como treinar o seu dragão 2”.

As sessões são gratuitas e poderão ser agendadas por meio de cadastro via Internet.


Prefeituras ‘salvam’ pequenos cinemas

As salas de exibição que ainda funcionam na maior parte da região vem sendo mantidas pelas prefeituras. A iniciativa privada enfrenta dificuldade de ter lucro com o negócio.

Na região de Bauru possuem cinemas municipais e independentes as cidades: de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), São Manuel (72 quilômetros de Bauru), Jaú (47 quilômetros de Bauru), Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru) e Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru).

Esses cinemas estão vivendo a história de um filme referência da “sétima arte” que traz o fim de uma famosa sala italiana, o Cinema Paradiso. O longa conta sobre a vida de um garotinho que cresceu dentro do cinema e depois de aprender a profissão de projecionista ficou famoso, mas viu o fim do Cinema Paradiso, por falta de investimento e público.

Fala-se em “The end” para os pequenos cinemas porque os equipamentos principais para essa transição digital custam, entre R$ 100 mil e R$ 250 mil. No entanto, não é preciso apenas comprar outro projetor, toda a estrutura de som deve ser adaptada.

Os cinemas que possuem o equipamento exibem o filme, e os que não têm ficam atrasados à espera da “sobra” de uma película.

Para auxiliar os pequenos cinemas e tentar evitar o fechamento de suas portas, a agência disponibilizou o Recine (desoneração tributária) e um financiamento no Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).

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