Cultura

Uma nova heroína

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos/Reprodução Internet

A Viúva Negra de “Os Vingadores” agora como supermulher nas telonas

Sucesso de público e bilheteria nos EUA desde o dia 25 de julho, com o faturamento ultrapassando o valor de 84 milhões de dólares, “Lucy”, a mais nova heroína do cinema, interpretada por Scarlett Johansson (Os Vingadores), desbancou as superproduções de “Hércules” e “Planeta dos Macacos: o confronto” e estreia hoje nos cinemas bauruenses.

Na trama, Johansson interpreta uma jovem que foi forçada a trabalhar como mula do narcotráfico, carregando nova droga de alta potência química em uma embalagem que foi inserida cirurgicamente em seu corpo. Ao chegar ao seu destino, ela é agredida por integrantes de uma gangue e o invólucro da droga acaba se rompendo e sendo absorvido pelo seu corpo, lhe trazendo poderes inimagináveis.

O filme de ação do diretor francês Luc Besson é baseado no mito que surgiu no século de 19, de que o ser humano consegue usar apenas 10% de suas funções cerebrais, levando assim, uma vida normal. Já Lucy, com o passar do tempo, depois de absorver a química da droga, consegue acessar a área oculta de sua mente e a controlar, gradativamente, os 100% de sua função cerebral e psíquica. Quem tenta desvendar seus poderes e ajudá-la é um neurocientista interpretado por Morgan Freeman.

As coisas fogem do controle e Lucy se transforma em uma arma mortal e acaba sendo perseguida por pessoas que a querem usá-la para o mal. Para se defender e ir atrás do responsável por tê-la transformado assim, Lucy começa a obter controle sobre cada célula do seu corpo, conseguindo a sensibilidade de cada organismo vivo ao seu redor, além de controlar o tempo, a matéria e até mesmo outras pessoas.


Comparações

“Meia hora depois de ingerir a droga, comecei a perceber um lento bailado de luzes douradas [...] Não contemplava mais uma esquisita combinação de flores; via aquilo mesmo que Adão vira no dia de sua criação - o milagre do inteiro desabrochar da existência, em toda a sua nudez.”

Tal como no filme “Lucy”, o autor inglês Aldous Huxley (1894-1963) também teve sua experiência de expansão da mente acompanhado por um pesquisador das potencialidades do cérebro humano, o psiquiatra Humphry Osmond.

Em 2014 completam-se 60 anos da publicação de “As Portas da Percepção”, ensaio no qual o escritor relata suas experiências psicodélicas com a mescalina e que gerou sementes no universo pop: foi uma das inspirações de Jim Morrison (1943-1971) para batizar sua banda, The Doors.

Na primavera de 1953, escreve Huxley, ele se submeteu a oito horas de uma viagem “nem agradável nem desagradável” que começou em seu escritório, passou por uma farmácia, pelas colinas de Los Angeles e por seu jardim.

Sob o efeito da substância, extraída do peiote (cacto usado em rituais por nativos americanos), ele teve uma “visão sacramental da realidade”: matizes das cores pareceram menos sutis, pés de cadeiras ficaram “vangoghianos” e as dobras de sua calça, “labirintos de infinita complexidade”.

“Lucy” rendeu comparações. “Os efeitos visuais provocam sensação de quase alucinação”, escreveu Kamran Ahmed, crítico do site canadense “Next Projection”.


Beldades em evidência

Luc Besson adora uma garota bonita de arma na mão. Antes de Lucy, fez “Nikita” (1990), com a francesa Anne Parillaud, e dirigiu a ex-modelo ucraniana Milla Jovovich em “O Quinto Elemento” (1997) e “Joana d’Arc” (1999). Milla se transformou em musa de filmes de ação, disparando tiros e pontapés na franquia “Resident Evil”. A inglesa Kate Beckinsale deixou filmes água com açúcar para pegar em armas na tetralogia “Anjos da Noite”. Já Jennifer Lawrence criou uma nova “categoria” de atriz: ganha Oscar em dramas (“O Lado Bom da Vida”), mas faz filmes de ação, como a franquia “Jogos Vorazes”.

Scarlett Johansson protagoniza “Lucy”, filme de sucesso nos Estados Unidos que agora chega a Bauru

 

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