Leio numa enraivecida missiva no JC de ontem, um coordenador de campanha revoltado contra o sumiço de alguns dos seus cavaletes de campanha eleitoral. Faço alusão à caçada aos malfeitores (quem os seriam de fato), "bandidos urbanos", como apregoa o texto com um belo livro do saudoso Jorge Amado, "O Sumiço da Santa". Some-se com tanta coisa, algumas até para o nosso bem, como vejo ocorrendo na cidade com os tais cavaletes, que além de enfeiarem o espaço público, fazem parte de uma arcaica maneira de fazer política. Sumir é também louvável em algumas circunstancias. No caso dos cavaletes, nada como abduzi-los para o bem de todos e felicidade geral da já prejudicada visão.
Tenho comigo que, quanto mais vejo a carinha de um gajo desses estampada repetidas vezes num cavalete, mais fujo dele. Primeiro, pela ostentação, pelo gasto incomensurável e sendo disposto em lugares impróprios, beiradas de calçadas, obstruindo o caminhar, contribuindo decididamente para deixar mais tétrico o cenário de nossas vias públicas. A primeira pergunta que sempre faço a quem faz uso de placas é pelo fato de ter muito para gastar, e tendo muito, de onde veio isso, quem o banca, daí sei que sua atuação será primeiro para pagar a conta de quem o financiou e só depois a do interesse popular.
Subindo a XV de Novembro hoje (ontem), no final da manhã, esquina com a Virgílio Malta, vejo um distinto senhor, o militar reformado Darcy Rodrigues, rodeado de carros de polícia e querendo meter os pés num desses monstrengos sendo fixados na esquina de sua casa, restringindo o espaço já da pequena calçada. Paro e vou assuntar. Que bela demonstração de cidadania até conseguir expulsar os vendilhões da calçada alheia pra bem longe dos seus olhos e dos seus vizinhos. A polícia não queria prendê-lo, o distribuidor da geringonça queria forçar a barra e Darcy já nos preparos para fazer voar a peça que de publicitária não tem nada. Tem é muito de atentado ao pudor e ao bom visual das cidades. O bom senso prevaleceu, mas se saiu dali, com certeza deve estar enfeiando outra esquina.
Nem tudo está devidamente perdido, pois tomo conhecimento de um grupo que não rouba, nem expropria, muito menos subtrai placas, eles simplesmente a salvam, guardando-as em lugar seguro, para finalidades mais alvissareiras. Quem quiser tomar conhecimento basta adentrar o grupo Cavaletes Parade Bauru, no www.facebook.com/events/283261465195361/?fref=ts e aderir conseguindo garimpar placas indesejadas e posicionadas em lugares impróprios e inoportunos, possibilitando algo de realmente útil para tão degradante finalidade. Quando alguns estão pondo o mundo a perder, eis que uns outros se insurgem e mostram que nem tudo está devidamente perdido.
Até o seu Pontes lá da missiva para o JC vai entender que existem outras e melhores maneiras de ele fazer chegar sua mensagem ao cansado eleitor. Precisamos é desmascarar quem suja a cidade e agir contra os vândalos do mau gosto, afinal, se ao menos o candidato fosse bonitão, mas a maioria peca até nisso. Lembra-se do "um cavalete incomoda muita gente, dois cavaletes incomodam muito mais...". Sim, estamos incomodados. Abaixo a cavaleteragem e o desrespeitoso cavalitismo!
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).