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A pressa nossa de cada dia

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 3 min

Quem nunca, em uma conversa informal com os amigos ou até para quebrar aquele silêncio constrangedor no elevador, não disse a famosa frase: ?Nossa, como o dia passou rápido? ou ?já estamos quase em setembro, perto do Natal, como pode?? A sensação de que o tempo está passando mais rápido se torna cada vez mais intrínseca em nossa sociedade moderna e a pressa por querer tudo quase que ?instantâneo? é uma de suas consequências. Esses dias mesmo eu me peguei impaciente por ter uma publicidade de 30 segundos antes do vídeo que queria assistir e por não ter a opção de retirá-la. Trinta segundos me fizeram ficar com as pernas agitadas, olhando para a tela do computador e pensar: ?que demora, aparece logo o vídeo!?.

Lembro quando a internet surgiu em minha vida. Foi no ano de 2001 e tinha apenas 10 anos (você deve estar fazendo as contas da minha idade, pois é, tenho 23 anos mesmo). Aquele barulho da conexão é inesquecível, você também deve se lembrar. A felicidade era tanta em poder conhecer o mundo online, trocar mensagens instantâneas e receber um arquivo que esperava horas para baixar o livro, jogo ou até mesmo para me conectar.

Agora, lembre a última vez que, com a evolução da internet, você recebeu um arquivo pesado e os minutos que esperou para poder abrir. Certamente você deve ter falado mal da velocidade do computador ou do provedor por ter demorado esses minutos para baixar o arquivo. E quantas vezes nos pegamos impacientes com o elevador que não chega, com o garçom de algum estabelecimento que não passa para te dar a senha do Wi-Fi ou até com a página da rede social que não atualiza instantaneamente.

Mas por que isso? Por que estamos cada vez mais sedentos por velocidade? Seria isso ruim? Segundo psiquiatras, de acordo com um artigo publicado na revista Super Interessante, a sensação de que não conseguimos realizar tudo o que queremos em 24 horas e desejarmos mais velocidade podem ser sintomas da doença da pressa. Sim, existe essa doença. O aumento excessivo de ansiedade é o principal sintoma.

Porém, se estamos mais velozes desde a revolução industrial que nos trouxe máquinas que trabalham mais rápido que os homens, meios de transporte que diminuíram as distâncias entre os continentes e o boom da tecnologia da comunicação, por que ainda temos a sensação de que nos falta tempo?

Exatamente porque queremos ?ganhar? tempo que acabamos sentindo que o perdemos. Corremos para tê-lo, para buscá-lo, mas nos distanciamos da realidade dele. Para pesquisadores, ainda de acordo com o artigo da Super Interessante, uma pessoa hoje sente que o tempo passa mais rápido do que para alguém que viveu há cem anos. E isso é consequência da quantidade de informações e tecnologias que nos obrigam a buscar por algo veloz.

E aí fica a pergunta: onde isso vai parar? Não sei. Sinceramente, também quero saber. Mas acredito que a tendência é ficarmos cada vez mais impacientes pelos segundos e minutos. Mais sedentos por celulares, computadores e internet velozes.

O que resta é nos moldarmos para aproveitar nosso tempo, afinal, quando nos referimos a ele, referimo-nos à nossa vida, convívio com nossa família e amigos. Agora, uma notícia importante: se você conseguiu ler esse texto até o final, sem pular parágrafos ou ir para a próxima página, ainda não está tão apressado quanto pensa estar.

A autora é jornalista e redatora web do Jornal da Cidade

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