Polícia

Homem morre soterrado em terreno

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

A vítima estaria trabalhando e o barranco despencou

Um homem de 49 anos morreu soterrado ontem enquanto retirava terra de um terreno baldio na Vila Nova Esperança, em Bauru. O corpo de Benedito Carlos de Souza, que era dono de uma terraplanagem, foi encontrado mais de três horas depois do acidente, sob cerca de dois metros de terra, após trabalhos de escavação que mobilizaram a Defesa Civil, Bombeiros, Polícia Militar (PM) e funcionários da prefeitura. 

 

O fato ocorreu por volta das 17h. O terreno fica na quadra 12 da rua São Sebastião. Ao lado, há uma obra residencial. Segundo a mulher de um dos pedreiros que trabalhava na construção vizinha, Idelma de Oliveira, o empresário teria encostado o bobcat (espécie de pá escavadeira) para fazer a medição da área, quando o barranco que fica no fundos do terreno desmoronou. 

 

“Escutamos o barulho e só deu para ver a poeira levantar. Foi num piscar de olhos”, contou. 

Em seguida, suspeitando que a vítima estivesse soterrada, as testemunhas acionaram o resgate. A área foi isolada. 

 

Como o local apresentava risco de novos deslizamentos, a Defesa Civil e os bombeiros solicitaram uma máquina retroescavadeira e uma pá escavadeira para o trabalho. “Nós observamos que houve o desmoronamento de dois torrões de terra de mais de um metro cúbico cada. A suspeita é que a vítima esteja entre o barranco e um dos montes de terra”, disse o capitão dos bombeiros Helder Kato, enquanto a tragédia ainda era uma suspeita. 

 

A partir das 18h, as máquinas começaram a retirar os montes de terra. O trabalho de escavação foi acompanhado de perto por populares, que se aglomeraram no local. 

 

Angústia 

 

Após o deslizamento do barranco e a suspeita de que Souza havia sido soterrado, conhecidos tentavam, incessantemente, ligar no celular dele, mas a ligação não era completada. Por volta das 19h, familiares começaram a chegar e a angústia tomou conta de todos. 

 

A filha da vítima, Tamires de Souza, ainda tinha esperanças. “Meu pai vai ser encontrado vivo”. Após mais de duas horas de  escavação, a confirmação: o corpo de Souza havia sido localizado. Infelizmente, sem vida. 

 

Segundo o capitão dos bombeiros Artur Scachetti, a vítima estava coberta por, aproximadamente, dois metros de terra, praticamente encostada no barranco. “Acreditamos que ele sofreu uma asfixia mecânica”. 

 

A Polícia Científica foi acionada para fazer o trabalho de perícia técnica. Segundo o delegado plantonista, Roberto Cabral Medeiros, o caso será registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) como morte suspeita. “O distrito da área irá investigar em quais circunstâncias os fatos ocorreram”, disse. 

 

O corpo de Souza foi encaminhado ao IML e o laudo da perícia deve ficar pronto em 30 dias. 

 

‘Ele não merecia morrer desse jeito’

 

Muito abalada, a esposa de Benedito Carlos de Souza, Neide Aparecida Costa, lamentava a forma trágica da morte do marido. “Ele não merecia morrer desse jeito. Estava trabalhando”, disse. Consolada por um familiar, Neide lembrou que havia conversado com Souza no início da tarde, antes de viajar para Jaú. “Falei com ele bem rápido na hora do almoço”. 

 

Interditada

 

Após avaliação do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, ficou decidido que o terreno será interditado por tempo indeterminado. “A área oferece risco. Além do terreno, a rua ao lado (Gustavo Martins de Oliveira) também deve ficar interditada”, afirmou Josué de Moraes, da Defesa Civil.

 

‘Foi por pouco’

 

A dona de casa Idelma de Oliveira presenciou o acidente e disse que escapou por pouco de também ser soterrada. “Eu, minha filha e meu marido chegamos a percorrer o local onde teve o desmoronamento junto com ele (Souza), que continuou fazendo a medição e, então, saímos. Cinco minutos depois, caiu tudo”, conta. 

 

“Foi obra de Deus não estarmos lá na hora do acidente. O barranco era muito alto”, observou. O marido dela trabalhava na construção de uma residência ao lado e ele ainda chegou a tentar contato com a vítima por celular, sem sucesso. “Uma fatalidade o que aconteceu. Muito triste. Ainda estou abalada”, lamenta Idelma Oliveira. 

Quioshi Goto

 

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