Maior craque da história do Palmeiras, Ademir da Guia esteve ontem na cidade. O Divino, como era chamado pelo futebol refinado, distribuiu autógrafos e posou para fotografias com fãs em evento promocional da loja temática palmeirense Academia Store, no Bauru Shopping. Simples, cumprimentou a todos, sem distinção, logo na entrada e cantarolou o hino do clube, que acaba de completar o primeiro centenário.
Ademir chegou ovacionado e calmamente atendeu a imprensa e relembrou tanto as glórias do Alviverde, para as quais tanto contribuiu, quanto os tempos de infância em Bauru. “Venho a Bauru desde os sete anos de idade, quando meu pai estava no BAC”.
Ademir da Guia também jogou muito por estas bandas. Pelo Verdão, enfrentou o Noroeste no sol escaldante de Bauru, cidade a qual, conforme o próprio Divino, já era visitante antigo. O pai de Ademir, o ex-lateral Domingos da Guia, considerado um dos maiores de todos os tempos, após encerrar carreira como jogador, foi treinador do BAC.
Além das visitas como filho de treinador e jogador do Palmeiras, Ademir também visitou Bauru em diversas outras oportunidades, nas quais, mesmo após aposentadoria dos gramados, desfilou seu futebol elegante e preciso em partidas com times masteres do Palmeiras. A mais recente ocorreu há dois anos, em evento festivo realizado no campo do Bauru Tênis Clube (BTC).
Clássico e técnico
Ademir fez parte de uma geração palmeirense, que, pelo futebol clássico e técnico, tornara-se conhecida por Academia. Entre os anos 1960 e 1970, o Palmeiras de Ademir foi o único time a fazer frente ao esquadrão santista de Pelé.
Num paralelo com os “não tão felizes” dias atuais palmeirenses, Ademir disse que a principal diferença está no “showbusiness” , além da técnica maior do futebol de antigamente. “Tudo hoje é mais moderno. Temos os estádios, temos a Globo, os patrocínios, existe mais dinheiro. Na nossa época era tudo mais difícil. Hoje existe mais dinheiro. Eu, na verdade, não sei aonde está”, brinca.
Emoções verdes
Em meio a tantas glórias com a camisa verde, Ademir destaca o ano de 1972 como especial na memória e coração. “Tive muitas emoções no Palmeiras. A minha contratação e minha chegada (em agosto de 1961, vindo do Bangu-RJ) foram duas delas”.
“Mas o ano de 1972 (quando o Palmeiras faturou cinco títulos) foi especial”, destaca. Naquele ano, Divino marcou o gol que considera o mais bonito, contra o São Paulo. Outro ano especial na memória de Ademir foi 1974. O Corinthians vivia jejum de duas décadas sem títulos. Num Morumbi com 100 mil corintianos, o Divino atuou no 1 a 0 (gol de Ronaldo) que deu o título ao Palmeiras.
Gerações
Divino atraiu torcedores de todas as idades para a tarde de autógrafos. Munido de três camisas para serem autografadas e máquina fotográfica, o aposentado Reinaldo Grava, 79 anos estava visivelmente emocionado. “Estar aqui hoje (ontem) é de arrepiar. Vi muitos jogos do Ademir no Pacaembu, na época da dupla Dudu e Ademir, a maior da história do Palmeiras”, comenta.
Já Guilherme Castilhom de 8 anos, apesar de não ter acompanhado as grandes vitórias do Verdão como “seo” Reinaldo, também enfrentou a fila com o pai, José Luís Castilho, para conseguiu um autógrafo na luva, já que o menino é aspirante a goleiro e fã de um outro grande ídolo palmeirense: “São Marcos”.