Quioshi Goto |
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Evento, um dos maiores do Interior, reúne cerca de 50 mil pessoas |
A praticamente um mês das eleições e um dia depois da candidata à Presidência da República Marina Silva (PSB) reduzir apoio à causa gay, a 7ª Parada da Diversidade reuniu 50 mil pessoas sem tratar das eleições. Momentos antes dos trios elétricos começarem a descer a avenida Nações Unidas, na altura da Praça da Paz, algumas pessoas foram informadas que se subissem nos caminhões com material de campanha, seriam convidadas a descer.
A medida não foi necessária e o evento, mais uma vez, foi marcado por muita descontração, irreverência e alegria. Sem incidentes até o fina da marcha, a Parada foi declarada oficialmente aberta pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), após a execução do hino nacional. Sem engatar qualquer discurso, apenas afirmou ser de poucas palavras e muito trabalho.
Desta vez, o que arrancou aplausos do público foram as palavras de ordem da titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo. “Podem não gostar, mas respeito é obrigatório”, disse. Antes de afirmar que a Parada da Diversidade de Bauru é a segunda maior do Estado, também destacou que o nome social das pessoas deve ser respeitado.
Suave
O evento é realizado pelas Secretarias Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e de Cultura, em parceria com o Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual (Cads), Associação Bauru pela Diversidade (ABD) e Labirinthus Internacional.
O estabelecimento disponibilizou um trio elétrico, assim como a administração municipal. Ambos deixaram a concentração pouco depois das 16h. Uma hora e meia depois, pararam próximo do anfiteatro do Parque Vitória Régia, onde já havia grande concentração de pessoas.
Durante a marcha, apenas um candidato a deputado estadual distribuiu santinhos de forma mais incisiva. Também foi discreta a participação de vereadores. Além de Markinho da Diversidade (PMDB) que, atuou como apresentador do evento, Telma Gobbi (PMDB) marcou presença como em anos anteriores.
Marcha pede respeito à diversidade das famílias
Embora a concepção de família tradicional seja respeitada, Semana da Diversidade cobra a mesma consideração em relação a outras formações
Trabalhado e discutido de forma variada, o tema da Semana da Diversidade deste ano, concluída ontem com a 7ª Parada da Diversidade, foi “Em Defesa da Diversidade da Família”. O assunto também foi tratado no início da marcha realizada ontem, pelo presidente da ABD, Aloísio Pereira da Silva Junior.
“O que nós estamos hoje falando é que família não é só formada por traços de sangue, traços genéticos. Família é formada por amor. O que une as pessoas é o afeto”, ressalta Silva Junior.
‘Jovens querem se matar por conta do preconceito’
Para combater o desespero provocado pela discriminação, evangélicos têm utilizado o abraço como remédio; adeptos atestam resultados positivos.
A afirmação é da pastora Maria Cristina Fiorin. Fundadora e pastora da Igreja Inclusiva Monte da Adoração, ela ajuda jovens que querem tirar a própria vida por conta do preconceito, muitas vezes originados dentro da própria casa.
Mãe de três rapazes homoafetivos, ela deixou a igreja que frequentava há 22 anos, depois que seu filho, antes considerado uma bênção, foi classificado como endiabrado por conta de sua orientação sexual. “Ele foi convidado a se retirar do ministério”, comenta.
No entanto, pessoas como eles são mais amorosas, sensíveis e necessitam de atenção especial por, justamente, sofrerem preconceito. Quando recebe telefonemas de pessoas desesperadas, tentar procurá-las pessoalmente simplesmente para dar-lhes um abraço. “Isso muda tudo”, garante.
Também acredita na força do abraço Elaine Mattos, diretora da Escola de Missões, que reúne evangélicos de várias denominações. Como faz há seis anos, seu grupo foi à 7ª Parada da Diversidade para distribui-los. “Muitos (dos que recebem) começam a chorar”, confessa.
O grupo dela trazia cartazes com dizeres como “Nós como igreja pedimos perdão pela forma como temos tratado vocês”. Também trouxe por escrito outro segundo o qual ‘quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las. “Estamos apenas praticando o Evangelho”, finaliza Elaine.
Sem conceito
A transexual de Bauru Vick Victória está casada há dois anos com Clayton Luiz Domingues e pretende construir com ele sua família. Assim que concluir o processo de mudança de nome, recorrerá à Justiça para iniciar o processo de adoção. “Não existe família perfeita, mas quero uma sem preconceitos ou conceitos ultrapassados”, diz. Tanto Vick Victória quanto Clayton sentem não ser respeitos pela própria família como são os casais heterossexuais. A transexual Giovanna Gery, que já foi casada duas vezes, acredita que se houvesse menos preconceito, os pais sofreriam menos ao saber da orientação sexual dos filhos. Para muitos deles, o que mais machuca é o que as pessoas pensarão de seus rebentos. Esse não foi um problema na casa de Paola Rhavenna, onde todos a aceitaram logo cedo, da maneira como é.
Faixas
Durante a 7ª Parada também foram vistas poucas faixas com palavras de ordem. Segundo o presidente da ABD, Aloísio Pereira da Silva Junior, a diminuição foi sentida porque era a Igreja Inclusiva Monte da Adoração, fundada por ele, que as confeccionava. Diante do desafio de organizar a 7ª Parada, desta vez, não foi possível viabilizá-las. No entanto, ressalta que a marcha realizada ontem finalizou uma semana de discussões. Palestras e atividades deram visibilidade a conquistas e aos direitos dos que, ainda hoje, sofrem com algum tipo de discriminação, sejam LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), mulheres, idosos, negros, deficientes físicos etc.
