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Bernardino ou pista de corrida?

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Recém-pavimentado, o prolongamento da Bernardino de Campos – das quadras 30 a 36 –, nas proximidades do Parque Viaduto, ainda não conta com lombadas, radares ou semáforos. Moradores próximos da via, cuja velocidade permitida é de 40 quilômetros por hora, afirmam que ela se transformou em uma verdadeira “pista de corrida”.


“Tem acidente direto. Já vi até motorista dando cavalinho de pau nas esquinas. Dá impressão que vão ‘invadir’ as casas”, disse uma moradora, que pediu para ter a identidade preservada. A Emdurb promete fazer um estudo no trecho (leia mais abaixo).


O drama no local é antigo. Antes, sem pavimentação, moradores enfrentavam poeira e barro para sair de casa. Agora, o sentimento de desconforto deu lugar ao medo. É o que relata a empresária Ana Paula Alves, de 37 anos, enquanto brincava com a filha, de apenas 1 ano, no empreendimento da família, na quadra 31 da via.


“Tenho muito medo de andar com ela (filha) na calçada, pois os motoristas vêm a ‘mil por hora’ e não respeitam nada. No cruzamento que tem no quarteirão 32, por exemplo, ninguém sabe para onde ir”, critica Alves, reforçando ainda que o trecho em questão já foi palco de vários acidentes e atropelamentos.


Pouco mais de 200 metros dali, sentado em uma cadeira aretsanal, o aposentado Henrique de Oliveira, 85 anos, observava o trânsito intenso de carros e motos. E ninguém melhor que ele para confirmar a denúncia dos moradores.


“Fico o dia todo aqui. Com a minha idade, o que mais vou fazer? Eu sei dos riscos, mas não consigo ficar dentro de casa. Minha alegria é ver o movimento”, relata. “O pessoal aposta corrida. Tem motorista que desce na contramão e, na curva, em alguns casos, o carro chega até a rodopiar”.


Escolar


Os casos de imprudência no prolongamento da Bernardino excedem – e muito - o limite do bom senso. Segundo Ana Paula Alves, até mesmo veículos que levam crianças trafegam de forma irregular.


“Já vi até perua escolar andando bem acima da velocidade. Qualquer hora vai acontecer uma tragédia e ninguém toma providências”, critica.

Emdurb argumenta que não há muito o que fazer no trecho

Questionado sobre as denúncias de imprudência e acidentes entre os quarteirões 30 e 36 da Bernardino de Campos, o engenheiro de trânsito e gerente de planejamento em sinalizações da Emdurb, Aníbal Ramalho, alega que não há muito o que fazer.


“O problema são as ruas de terra que dão acesso ao prolongamento. Com as chuvas, desce muita terra e acabaria obstruindo as lombadas, prejudicando, inclusive, os próprios motoristas. Mas vamos fazer um levantamento para ver se existe a possibilidade de implantar obstáculos em alguns quarteirões”, garante.


Já a instalação de detectores de velocidade móveis seria uma alternativa em longo prazo. “Quem fornece os radares são empresas terceirizadas. Precisa de licitação para implantá-los”, explica. Quanto a semáforos, o trecho não comportaria, ainda de acordo com Ramalho.  


“Com o crescimento daquela área, podemos ter pontos futuramente que necessitem de semáforo. Mas, por enquanto, não vem ao caso. O ideal seria a execução da avenida do Sobrado, cuja obra iria desafogar um pouco do trânsito na Bernardino”, conclui. 

Aceituno Jr.

Após a pavimentação, veículos passaram a abusar cada vez mais da velocidade no trecho

 

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