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O amor é uma decisão

Wellington Baldo
| Tempo de leitura: 2 min

Motivo de conversas de botequim, passando por músicas, poesias e reflexões dos grandes filósofos o tema "Amor" sempre esteve em pauta desde que o mundo é mundo. Para a maioria das pessoas ser feliz e ser amado são quase sinônimos. Todos querem, na maioria das vezes, receber o amor. Afinal, quem não quer ser amado? Seja amor de pai, mãe, irmãos, amigos, todos almejam serem amados. Entretanto, nestas breves linhas abro uma brecha e pretendo promover uma reflexão: queremos tanto sermos amados, mas... Será que amamos na mesma proporção em que somos amados? "Eu amo", dirão muitos. Entretanto, será que amamos realmente?

Costumo indagar a plateia nas palestras... O que você faria se o amor de sua vida lhe diz: "Descobri que o meu caminho não é mais com você. Peço, pois, licença para despedir-me e seguir minha vida de outra forma". Será que diríamos: "Se é esta sua decisão, embora triste eu a respeito e torcerei pela sua felicidade!" Ou, será que diríamos: "Ingrato (a)! Depois de tantos anos me abandona. Ah, pagará caro!"

Será que o nosso amor é tão grande a ponto de respeitar a decisão do outro? Fácil? Claro que não, até porque poucos de nós tem o desprendimento necessário para amar desta forma. Outro dia, em conversa com um amigo, ele me disse: "O amor é uma decisão!" E arrematou: "O amor é o mais nobre dos sentimentos e quando eu decido amar alguém tenho que estar ciente de que esta pessoa poderá não me amar da forma como eu a amo". Confesso que de início não concordei. Sempre achei que não escolhemos amar, que o amor entra sem pedir licença.

E fiquei a refletir por alguns dias até chegar à conclusão de que o amigo, um filósofo, estava certo: o amor é mesmo uma decisão! Eu escolho amar, respeitar, compreender. Descobri, então, que quem entra sem pedir licença é a paixão, avassaladora como sempre, mas o amor, não. E amar equivale a sobretudo respeitar as decisões do outro, mesmo que estas nos excluam. O que fazer diante do ente que nos deixa? O que fazer em face do amor que se vai? Quem ama respeita o direito de escolha do outro, sempre.

Eis porque amar nos faz exercitar o que temos de mais belo em nosso ser, que são as virtudes de respeitar, compreender, renunciar, abdicar e tantas outras mais. Se é bom ser amado, se é nosso objetivo sermos amados, tenhamos a certeza que amar é ainda melhor. Amar é uma decisão, uma sábia decisão, e como seres pensantes podemos decidir amar a qualquer momento. Eis um exercício diário e constante para nosso aperfeiçoamento como seres humanos. O amor, ah, o amor é sempre uma decisão, diria meu amigo filósofo!

O autor é colaborador de Opinião

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