Até parece existir um novo escândalo pairando no ar. A revista deu em manchete e todos repercutiram. Nada disso. Nada de novo no ar além dos aviões de carreira, tudo velho, requentadíssimo. Na minha caixa de e-mails lá está um recado em forma de alarme: "Paulo Roberto Costa depõe... O que o PT fez com a Petrobrás...". Fui ler. Cadê a novidade? Nenhuma. Fui conferir e só achei indelicado e inadequado o fato dessa e de outras revistas estarem só pegando no pé desse partido, o tal do PT. E os outros? E os que fizeram ou continuam fazendo até pior? Nada deles? Por que disso? Mas isso já não havia sido publicado? Repetem tudo assim de forma descarada, como se fosse algo novo. Requintes de crueldade explícita.
Não existe mais novidade em nenhuma denúncia. Todas elas se parecem, até aquelas que essa parcela da imprensa faz questão de não divulgar, de não fazer o estardalhaço feito com essa e com tudo o que venha desse tal de PT. O fato é um só, mas isso parece não interessar a nenhuma parcela da denuncista imprensa: o sistema político vigente está falido, todo corrompido, por dentro e por fora e em todos os seus níveis. Sabe a famosa frase, "tá tudo dominado"? Sim, ela representa de fato o que ocorre a nível nacional. Sem tirar nem por, dá para se contar nos dedos de uma das mãos quem hoje não participa do cruel festim de misturar o público com o privado.
O que ocorre na Petrobrás não é novidade, assim como o que ocorre nas mesmas proporções no Metrô paulistano, nos variados Rodo Anéis sendo construídos, nos aviões dos candidatos, no marido da candidata, nos filhos de muitos ex, nos muitos outros mensalões ainda não desvendados. O fato é que parece não mais existir obra, seja ela qual for, desde a mais pequena até a maior delas, sendo feita por gente de agremiações políticas de A a Z onde não ocorra algo parecido com o que foi descrito pela revista. Ela peca por denunciar tudo de um lado e nada de outro, mas na verdade, todos estão mais que pobres, carcomidos por dentro e por fora. Aqui na nossa aldeia existe um hospital sendo construído há quase vinte anos e um mensalão, o da AHB, com os mesmos requintes de tudo o que ocorre em nível estadual e nacional.
O embate que deve ser feito transpassa essa eleição e não ocorrerá com uma simples e mera reforma política. Reforma em casa velha vale para quase nada. O que precisa ocorrer nesse país é uma verdadeira revolução, colocando fim a esse sistema excludente, onde prevalece os mandamentos do "deus dinheiro". Uns poucos ganhando os tubos e a imensa maioria ralando para sobreviver. O problema é o regime, o capitalismo faliu e só funciona sob comando altamente corrompido e corruptor. Não existe remédio. Ele é o problema. Com ele em vigência, tudo continuará como dantes.
Henrique Perazzi de Aquino ? jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).