Regional

Três cidades da região têm "supernota" no Ideb

Aurélio Alonso e Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.

Alunos de Paulistânia aproveitam a variedade de livros que a biblioteca da escola oferece

A melhoria da qualidade de ensino não é nas escolas de grandes cidades. Quem teve o melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2013 na região de Bauru são três municípios com cerca de 2 mil habitantes: Paulistânia, Lucianópolis e Fernão. Eles se destacaram com média acima de 7, superior a média nacional e estadual.


Nos anos iniciais (1º ao 5º), o Ideb nacional alcançou 5,0. Ultrapassou não só a meta para 2011 (de 4,6), como também a proposta para 2013, que era de 4,9. Mas essas três cidades já alcançaram metas para 2020.


A cidade de Paulistânia (48 quilômetros de Bauru), de 1.779 habitantes, obteve 7,6, a sexta maior nota do País e a primeira se comparada com as 52 cidades da região (veja tabela ao lado).


O município de Lucianópolis, de 2.248 habitantes, cravou 7,2 e a cidade de Fernão, de 1.570 habitantes, obteve 7,1, mas em 2009 os alunos conseguiram média 8.0.


Qual o segredo destas pequenas cidades oferecerem uma educação de qualidade? Em todas elas, as classes não ultrapassam a 20 alunos, os pais participam mais diretamente do dia a dia de seus filhos na vida escolar e, há até uma delas, que se dá o luxo de deslocar uma professora para dar reforço a dois alunos com dificuldade de alfabetização.

Em Paulistânia, segundo a secretária de Educação, Aline Santos Cabrera Corrêa, a prefeitura decidiu dar 18 tablets aos estudantes com boas notas, bom comportamento e de boa frequência. “Por ser cidade pequena, temos um controle total dos alunos e conseguimos motivá-los”, diz Aline, bacharel em Direito e estudando atualmente Pedagogia.


Em Lucianópolis, a diretora de Educação da Prefeitura, Neuza Soares Bim, explica que nas salas de aula têm até ar condicionado para possibilitar um ambiente mais agradável aos estudantes. Ao todo são 220 alunos atendidos na escola de Emef Jurandir Ferreira e de Ensino Infantil Sementinha.


Em Fernão não se difere das outras duas cidades: trabalho direto junto às famílias, classes com poucos alunos, capacitação dos professores e acompanhamento dos alunos mais defasados no aprendizado, explica a secretária de Educação de Fernão, Alessandra Vieira Garcia.


De 2007 até 2013, a nota só melhorou naquele município. Em 2009, obteve 8.0, depois caiu para 6.3 e 7.1 no último levantamento divulgado pelo Ministério da Educação.

‘Comprometimento é o segredo’


Cidade pacata, com 1.779 habitantes, Paulistânia (48 quilômetros de Bauru) tem motivo de sobra para comemorar. A Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Padre Sebastião de Oliveira Rocha, de 1º ao 5º ano, conseguiu a nota mais alta do Estado na avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Com a média 7.6, a instituição garantiu, ainda, a sétima colocação em todo o Brasil.


Mas qual seria a receita para ter um desempenho tão alto? “Comprometimento é o segredo”, define a secretária municipal de Educação, Aline Santos Cabreira Corrêa. Há pouco mais de um ano à frente do cargo, ela conta que a escola uniu forças com o poder público, professores, profissionais da saúde e, principalmente, com os pais.


“Os pais são muito presentes em todas as atividades. O fato de ser uma cidade pequena, onde todos se conhecem, colabora muito também. A gente sabe o problema que levou um aluno a perder o rendimento ou o interesse e trabalhamos direto no ponto”, observa.


A tal receita do sucesso, contudo, tem vários ingredientes. Os números são fundamentais para garantir a qualidade de ensino. Hoje a instituição tem 150 alunos, 11 professores e nove salas. “Formamos classes de até 15 alunos no máximo, número abaixo da estimativa do governo, que é de 25”, explica a diretora da escola, Cleuza Santana. “Menos gente na sala significa mais atenção ao aluno e melhor rendimento dele e do docente”, completa.


Além de respaldo quase que exclusivo, os alunos contam com aulas de reforços, acompanhamento com psicóloga, incentivo à leitura e viagens técnicas de estudo.


Aluno nota 10


Dois alunos de cada sala são premiados com um tablet. Trata-se de um projeto de lei municipal de incentivo. “Os critérios de avaliação são três: nota, frequência e comportamento.


“A concorrência é alta. Ninguém quer perder a oportunidade do prêmio”, relata secretária de educação, Aline Corrêa.


Missão cumprida


“Contribui para a nota. Estou muito feliz”, disse Jéssica Ester Honório da Silva, 11 anos, que prestou a prova do Ideb no ano passado. Ao lado dela, a mãe  Adriane da Silva não escondia o orgulho. “É resultado de uma boa escola”.  O pequeno Jhulio Caue Neves, 11 anos, achou a avaliação difícil, mas se sentiu seguro.


Não é uma surpresa’, diz professora


A nota alta no Ideb foi emplacada por alunos do 5º ano (em 2013). “Trabalhei com eles três anos. Não é uma surpresa”, garante uma das professoras da instituição, Rosimeire Freitas de Assis. Os docentes da Emef de Paulistânia foram melhores capacitados e tiveram adequação da jornada de trabalho, conforme a lei do piso.

“Toda equipe é incentivada a fazer o aluno crescer. Contamos com a colaboração da família e do poder público”, ressalta outra professora, Sandra Cristina de Souza. “O que é iniciado na escola é continuado no lar e vice-versa. A gente conhece a realidade de cada aluno e busca justificativas dos problemas para solucioná-los”.


‘Quero mais’


“Quero mais”, disse o prefeito de Paulistânia, Alcides Francisco Casaca. Além dos 25% da verba do Estado destinada ao município, ele acrescentou mais 1% no ano passado. “Educação é o princípio de tudo. Se tiver sobra, prefiro investir nisso”, revela.




 

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