Bairros

Longe do Centro: risco a motociclistas

Tisa Moraes com Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 5 min

Mais uma motociclista perdeu a vida em Bauru e, de novo, em uma rua distante da região central. Vítima de um acidente registrado no Jardim Chapadão, Tatiane dos Santos Rocha, 20 anos, morreu após permanecer por 17 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base (HB) de Bauru.

Assim como ela, a grande maioria das vítimas que morreu dirigindo motos sofreu acidente em bairros da cidade, onde as vias costumam ser menos movimentadas e, teoricamente, deveriam ser menos violentas.

Segundo dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), dos 11 motociclistas que perderam a vida no trânsito neste ano, nove estavam fora do Centro expandido.

A menor fiscalização nestas áreas, a falta de semáforos nos cruzamentos e o excesso de confiança dos condutores por serem rotas normalmente conhecidas por eles são alguns dos motivos que podem ajudar a explicar o fenômeno.

“Como o fluxo de veículo acaba sendo menor, os motoristas e motociclistas têm condições de desenvolver uma maior velocidade. E, por estarem familiarizados com os trajetos, podem ficar mais desatentos”, pondera o engenheiro do setor de estatísticas de acidentes da Emdurb, Nelson Augusto Neto.

Ele explica que as ocorrências, de maneira geral, são registradas principalmente nas vias de maior fluxo, com destaque para os cruzamentos da avenida Nações Unidas. Mas, quase sempre, tratam-se de casos sem grandes consequências.

“Na maioria das vezes, são colisões traseiras simples, em que as vítimas sofrem ferimentos leves ou há somente danos de pequena monta nos veículos envolvidos”, comenta, lembrando que acidentes mais graves, como capotamentos após colisões entre dois automóveis, também vêm sendo registradas com maior frequência nos bairros. “Geralmente, as vítimas são leves, mas poderiam ser graves se um dos veículos fosse uma moto”, completa.

O acidente

As investigações ainda não chegaram a uma conclusão sobre o que ocorreu na noite do último dia 25 de agosto, no Jardim Chapadão. Tatiane trafegava com sua moto Honda NXR 150 no sentido Centro-bairro da rua João Ambrózio, quando, no cruzamento com a rua Arlindo Pinto Ferreira, teve a frente interceptada por um Gol.

O condutor do veículo vinha no sentido oposto e teria feito conversão à esquerda, para ingressar na rua Arlindo Pinto Ferreira, antes de a moto atravessar o cruzamento. A motociclista foi encaminhada ao Pronto-Socorro Central (PSC) pelo Corpo de Bombeiros e, em estado grave, foi transferida para a UTI do HB. Ela permaneceu na unidade em coma induzido até a noite da última quinta-feira, quando a morte foi confirmada.

Segundo o comandante da 1ª Companhia da PM em Bauru, capitão Samuel Gomes, o aumento da frota nos últimos anos também contribui para ampliar o risco de acidentes, inclusive com mortes. Em junho deste ano, Bauru já contava com 251,6 mil veículos, incluindo 53 mil motos e motonetas – 1,2 mil delas emplacadas somente nos últimos 12 meses.

“Muitos motociclistas dirigem com imprudência. Mas, mesmo quando respeitam as regras de trânsito, são sempre mais vulneráveis a lesões graves em caso de acidente”, observa.


Vítima era assentada do Horto Aimorés

Assentada do Horto Aimorés, Tatiane dos Santos Rocha voltava do trabalho quando sofreu o acidente que interromperia sua vida 17 dias depois.

Ela era funcionária de uma fábrica de fábrica de cintos, mochilas , bolsas e carteiras instalada no Distrito Industrial de Bauru e fazia planos para se casar em breve.

“Ela namorava há três anos e estava noiva, já começando a fazer planos para o casamento. Era muito nova, realmente com a vida inteira pela frente”, comenta a tia, Roseli Fogaça, 50 anos. Tatiane morava com os pais e um irmão mais novo no assentamento e, segundo a tia, era uma jovem dedicada e sonhadora.

“Mas, por um descuido, uma vida foi destruída, uma família inteira foi destruída. Estamos todos ainda sem acreditar no que aconteceu”, lamenta.

A despedida

O corpo de Tatiane foi velado no Velório São Vicente. O sepultamento ocorreu no Cemitério Municipal de Piratininga.


Ação conjunta visa diminuir os índices

O elevado índice de acidentes em Bauru levou a Emdurb a realizar reuniões periódicas para analisar as estatísticas do trânsito e propor melhorias viárias para a cidade. Dos encontros, realizados a cada 45 cias, também participam o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Técnico-Científica e Secretaria Municipal de Obras.

“Cada um apresenta os problemas que estão enxergando, traz dados sobre as ocorrências graves e, assim, tomamos as decisões necessárias para reduzir os acidentes e mortes em Bauru”, comenta o engenheiro do setor de estatísticas de acidentes da Emdurb, Nelson Augusto Neto.

As reuniões foram iniciadas há quatro meses e, entre as medidas já adotadas, está a colocação de lombadas na avenida José Vicente Aiello e sinalização na extensão para alertar sobre a presença constante de animais na pista. Um dos próximos passos será a nivelação das ondulações existentes no cruzamento entre as avenidas Nações e Rodrigues Alves.


22ª morte no geral

Tatiane dos Santos Rocha é a 22ª vítima fatal do trânsito bauruense em 2014, segundo estatísticas da Emdurb. O número já supera, portanto, as 18 mortes entre janeiro e setembro do ano passado e quase se iguala ao contabilizado em todo o ano de 2013, quando 23 pessoas morreram após sofrerem acidentes.

Das vítimas que perderam a vida em 2014, 11 eram motociclistas, dez eram pedestres e um era condutor de veículo.

O número global de acidentes, no entanto, registrou queda neste ano.

De acordo com a Emdurb, o período de janeiro a agosto de 2014 acumula  4.328 ocorrências de trânsito, ante as 5.109 contabilizadas no mesmo período do ano passado.


Fiscalizações são intensificadas

O comandante da 1ª Companhia da PM em Bauru, capitão Samuel Gomes, destaca que as fiscalizações de trânsito nos bairros se tornaram mais intensas nos últimos dois meses em Bauru. O principal motivo foi o fato de motoristas com licenciamento do veículo vencido estarem utilizando estas vias como rota alternativa para escapar dos bloqueios policiais, mais comumente realizados nas artérias viárias de maior fluxo.

“Mas, é claro que a fiscalização nestes locais também contribui para coibir o excesso de velocidade e para deixarem os condutores mais alertas”, completa.

 

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