A contínua queda dos preços internacionais de commodities, como a soja e o minério de ferro, acende o sinal amarelo para a balança comercial brasileira. As exportações de manufaturados seguem minguando, minadas por fatores como a crise da vizinha Argentina, seu principal comprador. O resultado é que o País está mais dependente da venda de matérias-primas justamente quando muitas estão em um ciclo de baixa que pode se intensificar em 2015.
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Reuters |
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Contínua queda dos preços internacionais de commodities, como a soja e o minério de ferro, acende o sinal amarelo para a balança comercial |
De janeiro a agosto, os produtos básicos representaram 50,4% da receita de exportação, segundo os últimos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). É a maior participação desde 1978. As vendas de manufaturados recuaram 7% em relação ao mesmo período de 2013, para US$ 53,5 bilhões. Já a lista dos básicos - que inclui minério de ferro, soja, petróleo em bruto, milho e carnes - teve vendas 4,7% maiores, somando US$ 77,6 bilhões.
"O Brasil aumentou sua dependência das commodities porque a fonte de geração de divisas em manufaturados está secando com seu principal mercado, a Argentina. O problema é que as cotações internacionais (das commodities) não estão demonstrando o vigor que gostaríamos, principalmente o minério de ferro e a soja para 2015", diz o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro.
Carro-chefe das exportações, o minério de ferro acumula queda de preços de 40% no ano, alimentada pelo aumento da oferta mundial e números menos vigorosos na economia chinesa. A cotação da matéria-prima negociada na China saiu de US$ 135 a tonelada em janeiro para US$ 81,90 na quinta-feira, a mais baixa dos últimos cinco anos. Em relatório, o banco Goldman Sachs disse que a "era do ferro" chegou ao fim, e o preço pode cair ainda mais.
Maior exportadora do País, a Vale registrou receita 10,8% menor nas vendas externas de janeiro a julho. Mesmo com vantagens em termos de custos logísticos e da alta qualidade de seu minério, a empresa faturou US$ 12,8 bilhões, ante US$ 14,4 bilhões nos sete primeiros meses do ano passado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fronteira agrícola teme queda de preços internacionais
Para os produtores, a queda no preço internacional de produtos agrícolas trouxe um risco financeiro. A conta para produzir simplesmente não fecha. Os custos subiram e a valorização do dólar não está sendo suficiente para equilibrar as receitas. No Norte Araguaia, em Mato Grosso, uma das novas fronteiras agrícolas do País, os armazéns estão abarrotados de milho. Amanhã, os produtores começam o plantio da soja sem saber se vão conseguir pagar o custo da safra que estão plantando. A maioria está à espera de alguma notícia de quebra de safra que possa alterar a trajetória dos preços.
O Norte Araguaia, região distante e de difícil acesso, recebeu dezenas de agricultores nos últimos três anos, que investiram pesado para abrir 430 mil hectares de plantação. Se em anos anteriores, até setembro, quase metade da produção de soja já estava vendida, neste ano sequer 10% foram comercializados.
Por ser uma região nova no plantio, os custos de produção são maiores. Incluem o investimento inicial com máquinas e terras. A queda nos preços agrícolas é especialmente nociva para quem recorreu a financiamentos e tem parcelas do crédito vencendo nos próximos meses. Os grandes produtores, que normalmente usam recursos próprios, conseguem minimizar as perdas. Os pequenos, no entanto, não têm alternativas para contornar o baque de uma safra frustrada.
Segundo Paulo Borges, que tem uma fazenda na região, um produtor de soja pode ter até 20% de retorno no negócio em um período de dez anos, mesmo que tenha perdas em alguns anos. "Este é o negócio com a menor barreira de entrada que existe. Qualquer um pode comprar terras e começar a plantar", diz Borges. Qualquer um, porém, é modo de dizer. Para plantar em 500 hectares, considerado uma pequena propriedade no Mato Grosso, é preciso ter pelo menos R$ 2 milhões.
Com tanto dinheiro aplicado nos últimos anos, a expectativa para a nova safra não é das melhores e o clima entre os agricultores da região é de apreensão. Os produtores dos Estados Unidos começaram a colher seus grãos e devem registrar uma supersafra. Isso tem feito os preços na Bolsa de Chicago, que balizam toda a venda de soja no mundo, despencarem. A cotação do bushel (unidade de medida dos grãos no mercado americano) chegou nesta semana a US$ 10, o menor patamar dos últimos quatro anos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
