O Reino Unido resistiu ontem à pressão para se juntar aos EUA em anunciados ataques aéreos contra o Estado Islâmico (EI), depois que o grupo militante decapitou o refém britânico David Haines. Falando depois de presidir uma reunião do comitê de resposta a emergências do governo em Londres, o primeiro-ministro David Cameron disse que seu governo luta em várias frentes, mas, por enquanto, não estava lançando ataques aéreos.
“Estamos prontos para tomar as medidas necessárias para lidar com esta ameaça e manter nosso país seguro”, disse ele em um comunicado. A Grã-Bretanha, no passado, foi muitas vezes o primeiro a aderir a ação militar dos EUA no Exterior, mas a opinião pública está cansada da guerra, o Parlamento rejeitou no ano passado ataques aéreos sobre a Síria, e questões sensíveis em torno do referendo de independência da Escócia, nesta quinta-feira, significam um Cameron reticente desta vez.
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, deve discutir a decapitação do britânico, que atuava em ajuda humanitária, com o secretário de Relações Exteriores britânico, Philip Hammond, em reunião em Paris, hoje.
A filmagem do assassinato de David Haines por militantes do Estado Islâmico que lutam no Iraque e na Síria significa que Cameron, que também está tentando convencer a Escócia a rejeitar a independência em referendo, está sob pressão para adotar uma postura muito mais dura com o EI.
Ele disse que não descarta nenhuma opção para combater o EI, com a exceção de combates no solo, mas está recebendo pedidos cada vez maiores de alguns de seus legisladores conservadores e de ex-chefes militares para se unir aos EUA no lançamento de ataques aéreos.
A última tentativa de Cameron de obter apoio do parlamento britânico a ataques aéreos contra a Síria no ano passado terminou em fracasso quando os legisladores votaram contra tal medida.
Cameron, que voltou a Londres antes do previsto para presidir a reunião de emergência, chamou o assassinato de Haines, um funcionário humanitário escocês de 44 anos, de um ato de pura maldade e prometeu levar seus assassinos à Justiça.