O emblemático grupo musical Demônios da Garoa se apresenta em Bauru nesta sexta-feira, a partir das 22h30, na Sociedade Hípica. Completando 72 anos de existência de atividade ininterrupta em 2014, o Demônios traz para os bauruenses os clássicos que são icônicos do samba paulista e atravessam geração após gerações como hinos.
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O emblemático grupo musical Demônios da Garoa se apresenta em Bauru nesta sexta-feira, a partir das 22h30 |
Mais que isso, o público poderá conferir ao vivo a nova sonoridade do grupo, inaugurada com o álbum comemorativo do aniversário de sete décadas do conjunto, “Um Samba Diferente”, que une a essência do que se pode chamar Demônios da Garoa com arranjos jazzísticos, inaugurando nova fase do tradicional grupo.
A atual formação do Demônios da Garoa tem Izael (timba), Sérgio Rosa (afoxé), Ricardinho (pandeiro), Roberto Barbosa, o Canhotinho (cavaquinho) e Dedé Paraízo (violão sete cordas). Responsável pelos arranjos do Demônios da Garoa, Canhotinho fala com a propriedade de quem está há 42 anos no grupo da nova fase.
“Geralmente faço os arranjos do conjunto. Com ajuda do pessoal, a gente consegue fazer alguma coisa diferente. É muito difícil fazer arranjo para conjunto, porque tem muita coisa, acerto de vozes, dá um trabalho. Mas com amor à música a gente consegue”, declara o músico, que é considerado o melhor cavaquinho do Brasil.
Canhotinho entrou para o Demônios da Garoa no início da década de 1960, pouco antes do grupo gravar o clássico “Trem das Onze” (1964), eleita por voto popular em 2000 a música símbolo da cidade de São Paulo. “Eu nem falo o tempo que estou no conjunto, porque o pessoal vai pensar que estou com 130 anos”, brinca. “Entrei em 1962 e fiquei até 1989, quando resolvi dar uma parada. Como sou solista de cavaquinho, fui trabalhar como solista, viajei para diversos países. Em 1999, o Arnaldo (Rosa), que era o fundador do conjunto adoeceu e me chamaram para dar uma força. Voltei e estou até hoje”, relata.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, Canhotinho comenta sobre o novo som do Demônios da Garoa, a longevidade do grupo e o reconhecimento e carinho do público.
JC - O show em Bauru faz parte da turnê comemorativa dos 70 anos do Demônios da Garoa?
Canhotinho - Sim. Lançamos um CD novo e estamos trabalhando as músicas dele. Mas sem faltar aquele repertório que o povo exige que a gente cante, “Trem das Onze”, “Samba do Arnesto”, estas músicas que não podem faltar.
JC - O grupo está com nova sonoridade, inaugurada com o lançamento do álbum “Um Samba Diferente”, uma mistura com jazz...
Canhotinho – É verdade. A música “Um Samba Diferente”, que dá título ao CD, tem um pedaço meio jazz, a gente muda de ritmo, é interessante. E é um samba antigo do conjunto, mas que hoje é novidade, está agradando muito, porque hoje é diferente.
JC – É uma mudança na sonoridade do Demônios da Garoa ou um trabalho mais isolado, uma experimentação?
Canhotinho – É uma mudança. Porque a gente não pode parar no tempo. Está certo que é muito bonito o que sempre produzimos. Mas não temos mais nosso compositor, o Adoniran Barbosa, que produzia música para nós e temos que partir para outros caminhos. Eu sou compositor, o Dedé Paraízo também compõe e fazemos coisas diferentes das antigas. Musicalmente muda um pouco, mas está sempre agradando ao público. A gente procura atualizar os shows e por isso estamos há quase 72 anos trabalhando sem parar.
JC - Qual a sensação de fazer parte de um grupo que atravessou sete décadas em atividade?
Canhotinho – É muito gratificante pelo carinho que o público tem com a gente. É uma coisa impressionante. Nos shows têm crianças de oito, dez anos que cantam junto com a gente, sabem o repertório, músicas que eu já esqueci e elas sabem porque o avô, o pai cantam, têm disco. Costumo até dizer que nosso público é de oito a 80 anos. Isso é muito bom, uma gratificação que a gente tem na música, que é nossa vida.
JC – E samba no interior de São Paulo ‘pega’?
Canhotinho – Sim. Todos que vão ao show a gente percebe que gostam mesmo de samba. O samba é nosso ritmo mais forte, o que melhor representa o Brasil, está no sangue do brasileiro. Não tem como não gostar.
Serviço
A Sociedade Hípica de Bauru fica na Av. José Henrique Ferraz, 7-15. Convites à venda para mesas para quatro pessoa no setor “A” (R$ 340,00 (cadeira extra, R$ 85,00) e setor “B” (R$ 300,00 (cadeira extra, R$ 75,00). Estacionamento gratuito dentro da Hípica para os primeiros 120 carros que chegarem. Informações e reservas: (14) 3236-1255 e (14) 99651-5050
Sem esquecer o tradicional
O “novo Demônios da Garoa” não abandona as tradicionais composições de Adoniram Barbosa, que tornaram o grupo célebre na década de 1960, com a própria “Trem das Onze”, além de “Saudosa Maloca”, “Samba do Arnesto”, “Malvina”, “Joga Chave”, “Iracema”, “As Mariposas”, “Tiro ao Álvaro”, “Ói Nóis Aqui Trá Veiz”, estrondosos sucessos que ajudaram o grupo a vender mais de dez milhões de cópias com 69 compactos simples, seis compactos duplos, 34 LPs e 13 CDs ao longo de sua carreira, reconhecido pelo Guinness Book como o grupo mais antigo em atividade no mundo.
