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USP protesta contra saída do hospital Centrinho

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Manifestantes também se concentraram em frente ao Centrinho antes de caminharem pela avenida Nações Unidas

Com faixas escritas “O Centrinho é nosso, é do povo, é da USP”, além de cartazes e carros de som, mais de 70 pessoas, entre alunos da Universidade de São Paulo (USP), funcionários e pacientes do Hospital  de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho) de Bauru realizaram uma manifestação, no final da manhã de ontem. O objetivo do “1º Grande Ato”, como foi denominada a manifestação, foi protestar contra a transferência da gestão do Centrinho.


A concentração aconteceu por volta das 11h em frente ao quiosque do hospital. Em seguida, os manifestantes caminharam ao redor do câmpus da USP e percorreram a avenida Nações Unidas, sentido bairro-Centro, até a primeira rotatória perto do Parque Vitória Régia. Policiais militares acompanharam o ato público, que seguiu pacificamente.


De acordo com a diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Joana Scarcela, o intuito foi manifestar  em defesa do Centrinho e da saúde e educação pública de qualidade. “Após nos reunirmos, saímos em ato público com carros de som, cartazes e faixas com o intuito de protestar contra a desvinculação do Centrinho que ainda continua. Somos contra e iremos nos manifestar até termos uma mudança. Não vamos desistir”, disse.

Malavolta Jr.

Mais de 70 pessoas marcharam pela avenida Nações Unidas

Para a funcionária do hospital Sheila Garcia, que trabalha no setor de recreação, a ideia de realizar o ato foi ótima. “É nosso dever lutar pelo que acreditamos. Todos nós funcionários somos contra a desvinculação”, disse.


Os estudantes e funcionários realizarão o “2º Grande Ato em Defesa ao Centrinho” amanhã, ao meio-dia, em frente ao hospital. No período da tarde, em São Paulo, também acontecerá um ato público em defesa do Hospital Universitário da USP e do Centrinho.

 “Luta por saúde pública de qualidade”

O estudante de odontologia da USP Thiago DeRubeis, de 21 anos, foi um dos idealizadores do ato público em defesa ao Centrinho. Para ele, a ideia surgiu em uma assembleia feita na última segunda-feira (22) que reuniu funcionários e estudantes da USP. “Devido à falta de vontade da diretoria da nossa faculdade em dialogar com a comunidade e pelos atos que estão sendo feitos em São Paulo, nós, universitários, decidimos realizar esse protesto em Bauru. Posso afirmar que serão feitos os atos que forem necessários, pois estamos pedindo a ajuda da população para uma luta por saúde pública de qualidade”, afirmou.

Para o universitário, a desvinculação do Centrinho precarizará a qualidade dos atendimentos feitos no hospital. “Sou contrário a essa decisão, pois a desvinculação, além de não ter sido debatida com a comunidade, é a total precarização do serviço público como foi no Hospital das Clínicas e está sendo em Botucatu. O Centrinho é um centro de referência nacional e isso faz parte de um projeto de desmonte da USP”, conclui.


Polêmica


Conforme o JC publicou em agosto, a Universidade de São Paulo (USP) doou o novo prédio do Centrinho para o governo estadual. No imóvel de 11 pavimentos, também conhecido como “predião”, com mais de 22 mil metros quadrados, ao lado do Parque Vitória Régia, funcionará o sétimo hospital público de Bauru.


Pouco depois, O Conselho Universitário (CO), órgão máximo da USP, votou pela desvinculação do hospital como um todo em reunião realizada na Capital, em 26 de agosto. Dos 115 conselheiros, 106 participaram, sendo que 63 votaram a favor, 27 contra e 16 se abstiveram.


Neste mês, a Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) informou que irá pedir a revogação da decisão. Para que a desvinculação do Centrinho fosse aprovada, o CO considerou que seriam necessários metade dos votos de todos os conselheiros mais um – o equivalente a 59 votos. Mas, segundo secretário-geral da associação, Francisco Miraglia, o estatuto exige, na verdade, a votação favorável de dois terços dos membros, ou 77 votos.


Em entrevista na semana passada ao JC, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que o Estado não irá assumir o Centrinho. Mesmo assim, os funcionários e alunos continuam com medo de uma desvinculação, mesmo que não seja destinada ao Estado.

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