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Hospitais cobram mais recursos


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Hospitais filantrópicos e Santas Casas participam hoje de uma mobilização nacional para alertar a sociedade sobre o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a grave crise que as entidades vêm enfrentando há anos em razão do crescente déficit decorrente da insuficiência de recursos. Em Macatuba (46 quilômetros de Bauru), a Santa Casa irá suspender exames eletivos, mas os serviços de urgência e emergência serão mantidos.


O “Dia Nacional de Luto pela Crise das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos” foi idealizado em agosto, em Brasília, durante o 24º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, que reuniu representantes de mais de 2.100 instituições beneficentes de todo o País.


A proposta é bloquear agendamentos eletivos, como ação de protesto e sensibilização pública. Os funcionários também usarão roupas pretas, representando o luto pelo setor, que atualmente amarga dívida calculada em mais de R$ 15 bilhões. A Santa Casa de Macatuba aderiu à mobilização.


Segundo o Departamento Pessoal da entidade, os exames eletivos agendados para hoje serão suspensos e posteriormente remarcados e funcionários do setor administrativo vestirão roupas pretas como forma de protesto. Serviços de urgência e emergência funcionarão normalmente.


O prefeito de Macatuba, Tarcisio Abel, defende a necessidade de o governo federal atualizar a tabela SUS, com valores que possibilitem a sobrevivência financeira das Santas Casas e hospitais.


“A Prefeitura de Macatuba investe quase dobro do índice (de 15% previsto na Constituição Federal) em saúde pública. O Governo Federal também tem que fazer o mesmo esforço e investir os recursos que o sistema SUS precisa para funcionar bem”, avalia.


O Hospital Nossa Senhora da Piedade, em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), também apoia a iniciativa. A instituição informou, porém, que não fará mudanças no atendimento. “O foco será conscientizar a população da crise que ameaça há anos os filantrópicos de todo o país”, diz.

Pedidos


Em agosto, comissão formada por presidentes de federações dos hospitais brasileiros entregou documento com pleitos do setor no Palácio do Planalto, para ser enviado à Presidência da República e Ministério da Saúde. Nele, a categoria pede mais recursos à União, que gerencia o SUS, e melhores condições para saldar as dívidas.


“Não estamos brigando apenas por nós, mas pela saúde de todos os brasileiros, principalmente aqueles que dependem do SUS”, diz o diretor-presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), Edson Rogatti.

Emendas parlamentares

O provedor do Hospital de Agudos, Sérgio de Abreu Camargo, explicou que, apesar de não aderir à paralisação, apoia a luta das entidades filantrópicas. Ele alega que a tabela do SUS está defasada há 18 anos e que os recursos repassados pelo governo federal não cobrem os custos reais dos procedimentos. “O SUS paga R$ 7,00 para cada internação e ela custa R$ 154,00 para nós hoje”, revela. “A diferença, eu tenho que pôr”. Como alternativa, Camargo conta que os hospitais acabam tendo que recorrer aos deputados estaduais e federais para que possam ser beneficiados por emendas parlamentares, com liberação de verbas para custeio e compra de equipamentos.

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