A Catalunha convocou ontem para 9 de novembro um plebiscito sobre a independência da comunidade autônoma em relação à Espanha. O governo central espanhol, que é contra a proposta, afirmou que tentará impedir a consulta na Justiça.
O decreto foi assinado pelo presidente de governo catalão, Artur Mas, na sede da administração local, em Barcelona. Embora o plebiscito seja não vinculante (não necessariamente significa uma mudança na lei), Mas defendeu a proposta.
“Assim como todas as nações do mundo, a Catalunha tem o direito de decidir sobre seu futuro político. A Catalunha quer falar, quer ser ouvida, quer votar”, disse.
Ele também voltou a desafiar a Madri a permitir o plebiscito, assim como o Reino Unido o fez em relação à Escócia. Na consulta, realizada no dia 18, 55% dos votantes escolheram permanecer sob o domínio britânico.
Para o chefe de governo catalão, o plebiscito na comunidade autônoma é constitucional por não ser vinculante. O governo central espanhol discorda e vai recorrer à Justiça para tentar impedir a consulta.
Madri argumenta que a medida vai contra o princípio de indivisibilidade do território espanhol, incluído na Constituição de 1978. “Não vai acontecer o plebiscito porque é anticonstitucional”, disse a vice-presidente de governo espanhola, Soraya Sáenz de Santamaría.
Ela considera a convocação da consulta um erro. “Fratura a sociedade catalã, divide aos catalães, distancia-os da Europa e do espírito dos tempos. Nenhum governo, ninguém, está acima da lei porque ninguém está acima do desejo soberano de todo o povo espanhol”.
Apesar de ser favorável a uma reforma constitucional para dar mais autonomia às comunidades espanholas, o opositor Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) também é contra a consulta. “Temos que cumprir a Constituição”, disse o porta-voz Antonio Hernando.