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O mito de Pandora

Nagib Anderáos Neto
| Tempo de leitura: 2 min

Zeus ? o deus supremo da mitologia grega ? é fruto de uma complicada teogonia, assemelhada à genealogia humana. Bravo e vingativo, o deus dos gregos casou-se inúmeras vezes, gerando uma sucessão de outros menores: Apolo, Hebe, Hermes, as Musas, etc.

Diz-se do estranho chefe do Olimpo que havia ódio em seu coração; e tinha prazer em castigar os homens. Certa vez, para vingar-se de certo humano de nome Prometeu, ladrão de uma faísca do sol, para com ela iluminar a inteligência dos homens, o mal humorado superintendente celeste resolve castigá-los, fazendo-os se perder para sempre, por meio de uma mulher extremamente bela, detentora de todos os dons, Pandora, a primeira de todas!

Ela é criada e enviada a Epimeteu (o que vê depois), embora Prometeu (o previdente) houvesse aconselhado seu irmão a não aceitar nada de Zeus, de quem desconfiava muito. Ela traz consigo do Olimpo um presente de núpcias para Epimeteu: uma arca de ouro hermeticamente fechada. Segundo Hesíodo, o poeta camponês, Pandora teria aberto a caixa, levada pela curiosidade, de onde saem todas as desgraças e calamidades para os homens, os quais viviam tranquilos e felizes, até então.

Ao fechá-la, conseguiu prender em seu interior a esperança, por séculos encerrada como uma promessa de retorno aos felizes e ditosos tempos da infância da espécie humana sobre a Terra. A curiosa história traz consigo aspectos interessantes relacionados com outras lendas, e muitos preconceitos existentes.

Sobre a curiosidade da primeira mulher, muito tendo a ver com a indiscrição, não apenas a feminina, pode-se dizer que, na história real do ser humano, ela se transformou num terrível defeito, causador de muitas desgraças e calamidades: conduz ao intrometimento, à superficialidade, à vulgaridade, ao efêmero. Compreensível no homem pré-histórico e nas crianças, as quais reproduzem a evolução da espécie desde os primeiros tempos, e também nos homens de ciência em suas investigações, é inaceitável para o de hoje, quando o torna distante de si, atento a tudo quanto ocorre ao seu redor.

O mito de Pandora pode nos levar a muitas conclusões: desde a inutilidade de um deus vingativo, até a necessidade de se transcender estados inferiores de evolução; a de rever os preconceitos relacionados com a mulher, cuja graça e beleza não poderiam nunca ser invólucro do pecado e da desgraça, especialmente encomendados por um Zeus duvidoso.

A esperança, providencialmente encerrada na caixa de Pandora, residiria na possibilidade da superação das condições humanas, a partir da evolução pessoal de cada indivíduo na construção de um mundo melhor.

O autor é engenheiro civil e escritor

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