Bairros

Trânsito gera queixas: e lá vão elas!

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

Sem ser de propósito, a ação de Lydiane é imitada (veja na página anterior). Sem saber o que a funcionária pública fez, moradoras da rua Airton Bush estão reivindicando seus direitos no bairro Santa Edwirges. E o motivo é o mesmo: o risco do trânsito fazer uma de suas crianças de vítima.

Tráfego intenso, dificuldade para atravessar a via e acidentes constantes. Essas são as reclamações de moradores próximos às quadras 1, 2 e 3 da rua Airton Bush. A via é de mão dupla e o movimento, segundo os populares, fica ainda maior por conta de um mercado e uma escola que funcionam no local.

“A solução seria implantar mão única para ver se diminui um pouco o tráfego”, aponta a aposentada Maria Nazaré Moreira Picoli, 60 anos. O pedido, contudo, já teria sido enviado à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) por meio de um ofício, mas o órgão alega que não existe um sistema binário no trecho.

Perigos

Nazaré aponta o cruzamento da rua Airton Bush com a rua Engenheiro Paulo Frontin como o ponto mais perigoso da via. “Tem acidente direto e é um local muito frequentado por crianças, por causa da escola. Vai acabar morrendo alguém aqui ainda”, preocupa-se.

A reportagem do JC constatou duas lombadas entre as quadras 1 e 3 da alameda. “Não é o suficiente. A prefeitura tem que investir em mais sinalização como semáforos”, critica.

Outra moradora do bairro, a dona de casa Júlia Aparecida Capaldi, 57 anos, disse que a situação preocupante é antiga. “Há três anos, o meu inquilino morreu atropelado por uma moto nesse cruzamento (Airton Bush com Paulo Frontin)”, lembra.

Desde 2011

A luta por mais sinalização na rua Airton Bush (quadras 1, 2 e 3) vem sendo travada pelos moradores da região há cerca de três anos. A pensionista Augusta Maria da Conceição, 71 anos, mostra um documento protocolado na Emdurb em 2011.

“Foi assinado por vários moradores e, depois disso, a prefeitura colocou uma única lombada, porque outra já tinha”, observa Conceição. “Tem crianças e idosos se arriscando para atravessar a rua o dia todo. Gente indo trabalhar, muito movimento no mercado. Já vi ônibus de estudante demorar cinco minutos para atravessar a via”, lamenta.

Além do trânsito intenso, há desrespeito dos motoristas. A reportagem flagrou ao menos um carro estacionado em local proibido. “Ninguém respeita nada e nem ninguém”, reclama outra moradora, a dona de casa Ana Rita Morais, 32 anos.


Ação de associações de moradores é frequente

As associações de moradores dos bairros são grandes aliadas na conquista de direitos. Muitas vezes lideradas por mulheres, ou tendo pelo menos uma ou duas na sua diretoria, uma forma que os bairros usam para ter suas ações reconhecidas e reivindicações atendidas é justamente se valer da Associação de Moradores. Em geral, elas são muito atuantes e o canal mais rápido entre população e prefeitura ou outros órgãos públicos.

Um exemplo dessa participação efetiva aconteceu há cerca de duas semanas, quando o secretário do Meio Ambiente, Valcirlei da Silva, e técnicos da Semma se reuniram com os membros da Associação dos Moradores e Amigos do Vale do Igapó (Amavi) para discutir problemas relacionados ao acúmulo de lixo na região.

De acordo com a presidente da Amavi, Teresa Kondo, o aumento do volume de lixo no residencial acontece devido ao aumento do número de habitantes. “O problema é agravado pela coleta inadequada e pela falta de separação dos resíduos nas lixeiras comunitárias. A separação dos

resíduos poderia ser realizada pelos próprios moradores em suas casas. Nas lixeiras comunitárias são depositados todos os tipos de materiais, desde eletrodomésticos, colchões, móveis e até animais mortos”, informa a presidente.

Parceria

Na reunião ficou definida uma parceria entre a associação e a Semma para a elaboração e distribuição de material educativo e de orientação sobre o meio ambiente e, principalmente, sobre a questão da separação do lixo reciclável. A Semma também estudará a possibilidade da realização de cursos, palestras e

workshops para a população do bairro para orientar, de uma forma melhor, os moradores sobre os cuidados com o meio ambiente e a sua preservação.


Lombada

Vice-presidente do bairro, Celso Marcelo Picoli entregou um ofício recentemente à Emdurb, solicitando a implantação de mão única nas quadras 1 e 2 da Airton Bush. “Sugeri como alternativa para rota dos motoristas as ruas Leôncio Ferreira dos Santos, que é continuação da Marçal de Arruda Campos. Mas disseram que não é possível”, alegou. 

A Emdurb confirma a dificuldade técnica para isso, mas avalia colocar mais uma lombada na quadra 1 (já há obstáculo na quadra 2), informa o engenheiro civil Aníbal dos Santos Ramalho, gerente de planejamento e sinalização viária.


Emdurb

“A Emdurb esclarece que segue instruções do Manual de Semáforos do Denatran, onde estabelece critérios que justificam a implantação de semáforo. Dentre os critérios destacam-se: ‘Volumes Veiculares Mínimos, Interrupção de Tráfego Contínuo e Ocorrência de Acidentes’. Quanto ao critério ‘Volumes Veiculares Mínimos’, a pesquisa de contagem de veículos é feita por funcionários da Emdurb num período de doze horas, sendo geralmente das 7h às 19h. Daí são selecionadas as oito horas de maior fluxo e efetuada a média dessas oito horas, onde na via principal o resultado tem que ser maior que 600 veículos por hora. Na via secundária o resultado tem que ser maior de 200 veículos por hora quando as duas vias possuírem duas faixas de rolamento ou mais, por exemplo. Se o cruzamento apresentar resultado igual ou superior ao volume indicado, cabe a implantação de semáforo. Após a conclusão do estudo e caso seja positivo, o local entrará na programação semafórica da empresa municipal. O semáforo disciplina o trânsito de veículos, dando condições aos motoristas de transpor um cruzamento com segurança em vias onde o fluxo de veículos é intenso.”

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