Polícia

Mulher é acusada de dopar a filha de 8 anos

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

A conselheira tutelar Ieda Maria de Souza relatou que a

mãe da criança é usuária de drogas e alcoól

Uma mulher de 33 anos está sendo acusada de dopar a própria filha, de 8 anos, com medicamentos para dormir. A criança foi encontrada por pedestres anteontem à noite desmaiada na rua, no bairro Vila Maria (região da Vila Nova Paulista), em Bauru, e precisou ser levada ao Pronto-Socorro Central (PSC), onde foi submetida a procedimento de lavagem estomacal.

Na manhã de ontem, a menina recebeu alta e foi acolhida em um abrigo da prefeitura. Já a mãe ainda não havia sido localizada e o caso segue sob investigação da Polícia Civil.

De acordo com registro policial, a criança (em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, a identidade dos envolvidos será preservada pela reportagem) foi encontrada por uma vizinha, por volta das 21h, caída em via pública, aparentando estar dopada.

Com um corte no dedão do pé esquerdo, ela foi levada pela mulher até a residência da família e, de lá, socorrida por uma tia até o PSC. A conselheira tutelar e presidente do Conselho Tutelar 2 de Bauru, Ieda Maria de Souza, foi acionada para acompanhar o caso, já que a mãe da menina não havia sido encontrada.

“A criança contou que a mãe pediu para ela tomar um comprimido branco com um risco preto, que a fez dormir. Quando acordou, se sentiu agitada, saiu para a rua, desmaiou e retomou os sentidos várias vezes”, relatou Souza. “Ela (a criança) falou que apanhava com frequência da mãe”, completou.

Intoxicação

Na unidade hospitalar, foi constatado que a criança teve intoxicação por medicamento. Ela passou por procedimentos para expelir o comprimido (ainda desconhecido) e permaneceu durante a madrugada de ontem sob observação médica, vindo a ter alta por volta das 7h.

“A primeira providência foi aplicar medida protetiva de acolhimento institucional, ou seja, a menina já está em um abrigo”, explicou a conselheira tutelar Ieda de Souza. Ontem, a criança seria submetida a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), cujo laudo será anexado ao processo de investigação da Polícia Civil.

O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) como lesão corporal, maus-tratos e abandono intelectual. “Iremos ouvir a vítima e instaurar inquérito para apurar as acusações de agressões e de quem partiu essa ação. Também iremos amanhã (hoje) tentar localizar a mãe”, explicou a delegada Priscila Bianchini, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

“Se for confirmada a agressão (maus-tratos), a mãe pode cumprir pena que vai de dois meses a um ano de reclusão. Se comprovado que a menina não está estudando (abandono intelectual), a pena é de 15 dias a um mês”, completou a delegada.

Usuária

Segundo a conselheira tutelar Ieda de Souza, a mulher acusada de dopar a filha é usuária de drogas e bebidas alcóolicas. “Já é um caso atendido pelo Conselho, no qual se estabelece metas. Não é porque a mãe é usuária que será privada do convívio com a criança, desde que ela faça tratamento e busque melhorias, o que não ocorreu. Além de não evoluir, o quadro regrediu muito”, disse.  “Ela (a mãe) não tem condições de cuidar da filha”, completou.


‘Ela perguntou se iria apanhar também no abrigo’

Uma das tias da criança afirma que a menina não quer voltar mais para sua residência. “Ela disse que prefere o abrigo do que apanhar em casa”, contou a mulher, além de confirmar que a menina era agredida pela mãe. “Ela (mãe) vendeu até a cama da minha sobrinha por causa do vício nas drogas”, lamentou, dizendo que a irmã costumava ficar três dias fora de casa.

“Ficamos sabendo dos comprimidos ontem. Minha sobrinha disse que a mãe induzia sempre ela a tomar comprimidos, dizendo que era para emagrecer, pois sempre a chamava de gorda”, relata a tia.

Ainda segundo a familiar, a menina, que cursa atualmente o 3º ano do Ensino Fundamental, gosta de estudar e já queria ir à escola ontem. Sobre o abrigo, a única preocupação da criança era em estar protegida. “Ela me perguntou se iria apanhar também no abrigo”, lembrou.

Na casa, de acordo com a tia, moravam a menina, a mãe e um padrasto, que estaria viajando. “Pretendo entrar com a documentação para obter a guarda dela”, revelou. 


 

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