Um grupo de oito adolescentes, entre 13 e 14 anos, foi flagrado consumindo bebidas alcoólicas no interior da Escola Estadual Plínio Ferraz, na Vila Razuk, região da Vila Independência, em Bauru. Uma menina, que estava no grupo, chegou a passar mal e foi conduzido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Pronto-Socorro Central (PSC).
De acordo com o registro policial, o fato ocorreu anteontem por volta das 16h30. A vice-diretora do estabelecimento de ensino flagrou os adolescentes com nove garrafas, entre squeezes e pets, que estavam com a mistura de vodca, suco e energético.
Segundo boletim de ocorrência (BO), a menina que passou mal foi socorrida pelo Samu em coma alcoólico. Porém, a reportagem entrou em contato com a mãe da adolescente, que negou o coma e informou que a filha foi liberada e passa bem (leia mais abaixo). A assessoria de imprensa da prefeitura também informou que a adolescente deu entrada consciente no PSC e, após receber atendimento médico, foi liberada às 18h.
Uma equipe policial foi acionada para o atendimento da ocorrência após a aluna ser socorrida. Os militares localizaram os estudantes, entre eles quatro meninas e três meninos. Indagados, os adolescentes confessaram o consumo e alegaram que pediram para um mototaxista desconhecido comprar as bebidas e entregá-las na escola.
O caso foi registrado no Plantão Policial da CPJ e seguirá sob investigação da Polícia Civil. As garrafas foram apreendidas pela polícia.
Consequências
Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual da Educação afirma que todas as medidas foram tomadas logo após o fato. “A Diretoria Regional de Ensino de Bauru esclarece que, imediatamente após tomar conhecimento do ocorrido na Escola Estadual Plínio Ferraz, a direção convocou os responsáveis, e os alunos foram suspensos. Na próxima semana, será realizada uma reunião com os estudantes, familiares e professores”.
Em relação a uma suposta entrega da bebida na unidade, a autarquia refuta a versão. “Cabe ressaltar que a informação sobre entrega de bebida alcoólica na unidade de ensino não procede, uma vez que os alunos já entraram munidos de garrafas tipo squeeze”.
‘Pode ser um pedido de socorro’, diz psicóloga
Para a psicoterapeuta Gretta Rodrigues de Souza, a conduta dos adolescentes no episódio da escola pode ser um alerta. “Todo comportamento aversivo é um pedido de socorro. Nessa idade, eles sentem a necessidade de se impor, de mostrar que mandam na própria vida e que podem fazer tudo. A orientação é recorrer para uma ajuda profissional”, observa a psicóloga.
Gretta explica que agora é o momento dos pais desses adolescentes tentarem entender o que está passando na vida deles. “Às vezes são coisas simples como uma paquera mal resolvida, a menina ou o menino que quer entrar para uma turma que já faz uso de bebida alcóolica ou de drogas. Questões do tipo levam o adolescente a um questionamento: ‘Quem eu sou no mundo?’”.
Ao mesmo tempo, segundo a psicoterapeuta, os pais também se rodeiam de dúvidas e passam a se perguntar como dar apoio ao filho nesse sentido.
Para isso, ela orienta para que os pais acolham, mas de forma adequada. “O acolher dos pais tem que ser revisto também. Alguns acham que acolher é presentear, dar coisas e não estipulam limites. Porém, o limite é fundamental para esse tipo de situação. É ser pai, mãe, e não só amigo. É preciso dar carinho, amor, sentar junto e conversar. Isso, hoje, está muito escasso”, frisou.
Decepção e surpresa
Procuradas pela reportagem do JC, as mães de três dos oito adolescentes flagrados consumindo bebida alcóolica se mostraram surpresas com a atitude dos filhos. As identidades delas serão preservadas.
“Nunca aconteceu isso com ela. Fui surpreendida”, disse a mãe da aluna que passou mal. “Ela não entrou em coma alcoólico. Foi atendida no hospital e, depois, foi liberada. Graças a Deus está tudo bem.”
Já a mãe de outro aluno disse que a colega do filho teria passado mal e que os estudantes colocaram as bebidas em garrafas pets para não haver suspeitas. “Meu filho contou que a menina foi levada desmaiada para o PS e muito mal. Não sei o que passou na cabeça deles para fazerem isso. Agora meu filho terá que arcar com as consequências”, pontuou.
Outra mãe acredita que deveria ter sido mais dura com o adolescente. “Faltou eu ser mais rígida com ele na infância. Agora, vamos dialogar para que não aconteça mais”, desabafou.
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