Desde de que me lembro, ser professor era um privilégio, aliás, para poucos escolhidos, tinha significado de sabedoria. Sou reflexo de uma família com forte teor de leitura, porque leitura era o fundamento de todo futuro, aprendia-se a ler, escrever e voar nas máquinas propulsoras da imaginação criada à base de olhos que podiam perscrutar com naturalidade e desejo.
O anel de pedra verde, tesouro de valor incalculável, era herança que brilhava em meus sonhos mais recônditos, até que o recebi por ter sido guerreira e lutadora, depois de estágios infindáveis e distantes, após muitos olhos vermelhos, pasmem, de tanto estudar, para ser promovida ao cargo mais ansiado por mim: professora.
É incrível que nem faz tanto tempo assim, passei tantos anos estudando que nem percebi os cabelos brancos e as marcas nas mãos, ressecadas com tanto giz. Olho para traz e vejo uma turma enorme de crianças que me fazia buscar soluções para tantos descaminhos. Acreditava que poderia ser o motor de arranque daqueles destinos a mim confiados.
Ainda dou aulas, e meus dias começam com gritarias infindáveis e brincadeiras que fazem parte de minha vida. Conheço suas histórias e convivo com seus sonhos todo tempo, quando me deito creio que faço chamada nominal, para pedir a Deus por cada um deles.
As escolas são muitas por onde passei, a aposentadoria está perto e a idade vai longe, mas é engraçado que me renovo a cada dia, as pernas mais cansadas não mentem e as dores nos braços aumentam, ainda existe lousa, giz e abecedários na escola, existem os computadores, os celulares misturados com balanços e gangorras.
Crianças que sabem coisas que eu nem imaginava existir estão sempre dispostas a me ensinar. Em minha leitura diária, eles me acompanham e vivem comigo as histórias que buscamos enxergar.
Veja só! Não nasci professora, sou apenas uma encantadora de pensamentos que rabisca palavras para que possam ser lidas, meu coração ainda se deixa emocionar com um olhar brilhante de quem descobriu as razões de um Atlas, creio nas promessas de vida que o horizonte está aqui a um pulo e o mar posso tocá-lo ao ser descrito.
Para ser professor foi preciso ter professores que acreditaram em mim, dispuseram seus pensamentos e não desistiram, e por mais que eu tenha sido uma aluna difícil não me abandonaram nos bancos escolares como números nos gráficos. Professor, eu o respeito e compartilho, muitas vezes das mesmas frustrações, posso lhe garantir que você é um escolhido e é especial para cada ser que derrama a sua frente uma esperança, espera receber o despertar de uma nova opção de vida, chamada amor. Não desista, ajudar é seu nome e seu futuro ao leitor pertence. Parabéns, guerreiro, estamos juntos nessa!
Claudia Fonseca Menezes - Professora
municipal de Bauru