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80, 79, 78, 77...

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Pode abrir contagem: faltam 80 dias par
a o fim do ano. Que loucura é essa? Até ontem era 2002! Até ontem era 1986! Bem que o Pink Floyd avisou em "Time", ainda em 1973: "Cada ano vai ficando mais curto. Parece não haver tempo para nada". Implacável, o relógio acelera.

Voltando a falar de 80, talvez a melhor gravação pop daquela década seja "True", da banda inglesa Spandau Ballet. Essa canção romanticamente rasgada tem uma letra meio metida a besta. E, nela, o trecho "a areia tem seu próprio tempo", ou algo assim.

Sempre associo isso a uma ampulheta ? aliás, "Areia da Ampulheta" é uma música do Raul Seixas. "A areia tem seu tempo próprio", ou algo assim. O que esses caras do Spandau Ballet quiseram dizer? Que o tempo ("compositor de destinos", segundo Caetano Veloso) é mesmo indomável? Que tem suas próprias e imutáveis regras?

Seja qual for a viagem filosófica de manual, o fato é que... faltam 80 dias para o ano acabar. E, como uma volta no tempo em 80 passos, até que vale dar relevância a essa irrelevância. Afinal, vivemos mesmo pautados por números, prazos e limites. Bem-vindo à ditadura do cronômetro.

De minha parte, nos próximos 80, se assim o Superior permitir, tentarei ser uma pessoa melhor. Mais plena, mais companheira, menos dura. Cá entre nós: não deixa de ser uma dádiva ainda ter 80 dias de um ano para usufruir. De preferência, sem altas tensões.

Como foram seus últimos 80 dias de 2013? 2012? Ninguém se lembra, lógico. Descartamos nossos dias como papel de bala, mas são merecedores de algo mais. Creio que precisamos retê-los mais, torná-los apetitosos no ato do preparo ? para que virem lembranças mais doces quando se vão. E vão, não tem jeito: é aproveitar ou perder. Oito ou oitenta.

O autor é editor executivo do JC

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