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O professor aposentado pode sim!

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

Participar e contribuir na expectativa, vontade e anseio para melhorar o nível do ensino e a nossa educação. Como? Vejamos! Dona Messila (nome fictício) foi uma daquelas inesquecíveis e incomparáveis professora alfabetizadoras, que merecidamente se aposentou para descansar, mas depois de poucos anos constatou que precisava de uma atividade para encher o seu tempo, pois os seus filhos já estavam todos criados e formados.

Estava cheia de ficar parada e precisava "fazer alguma coisa", ter atividades para a cabeça e que bom se fossem de sua área, naquilo que sempre soube fazer como ninguém. O professor "seu" Nestor, apaixonado e excelente professor de matemática; Eliane, competentíssima em física; Leandro, de química, e Rosane, de literatura (nomes fictícios), e todos os aposentados estão na mesma condição de dona Messila e, coincidentemente, têm a mesma visão crítica construtiva da realidade em que trabalharam por longos anos com a atual. Interessante também é que este mesmo pensamento e a mesma vontade dos colegas citados ficticiamente ligam-nos a outros milhares por este país. E, também, principalmente, este quadro ocorre neste tempo atual em que se tem conhecimento do desinteresse generalizado da nova geração para a carreira do magistério por uma série de fatores como salários, violência e outros. Fundamentando-me em vários indicadores frequentemente publicados e do conhecimento geral como o baixo nível da qualidade do nosso ensino nos três níveis, fundamental, médio e superior, haja vista a posição de nossas principais universidades entre 250 e 300 na colocação do ranking mundial; nosso pífio desempenho científico; no marasmo em que se encontra nossa educação, na experiência não somente minha, mas na de milhares de educadores que realmente conhecem, ressalvo dois pontos: falta de criatividade e dinheiro para a educação. Entendo que a educação precisa fugir de padrões estereotipados e aceitar todas as tentativas e inovações oferecidas. A escola e o ensino que levam à educação têm que ser reinventados. Todas as ideias e tentativas são válidas e necessárias. Portanto, por não aproveitar o conhecimento, a experiência e a técnica pedagógica de professores aposentados para reciclagem e reforço daqueles alunos da escola pública que encontram dificuldades momentâneas em determinadas matérias ou disciplinas? Por que não criar "Postos de Reforço Escolar" extra escola, em casas ou outros locais, aproveitando professor aposentado inscrito e selecionado para ministrar o reforço necessário individualmente, ou a grupos de alunos também? O professor da escola através da direção encaminharia ao posto do aposentado relatório com as dificuldades encontradas por alunos na classe regular, sobre as quais aquele trabalharia. E sempre com possibilidade ou necessidade de retorno. Processo este com supervisão das autoridades da Secretaria da Educação. Trabalho este mediante uma gratificação justa e que redundaria em duplo benefício: reforço do orçamento do aposentado e benefício do ensino e educação. Utopia, alguém poderá afirmar, pois já existe reforço na escola e a lei não permite. Faça-se lei que permita, pois em muitas situações o "reforço" atual não está atingindo suas metas e o seu fim.

Lembremo-nos de que nas universidades existe essa possibilidade, pois o professor doutor após sua aposentadora, em virtude de sua especificação e competência pode ser contratado até atingir a compulsória aos setenta anos. Por que não no ensino fundamental e médio? Ressalto, o aluno, a família e a sociedade. Enfim, o professor aposentado que possui muita experiência com a escola, o aluno e o tempo, tem muito a oferecer!

O autor é professor e membro efetivo da Academia Bauruense de Letras - ABLetras

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