Geral

Tão perto, tão longe

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Lydiane Moura/Divulgação

Vivendo em abrigos diferentes, nem sempre irmãos podem se divertir juntos

Piscina, doces, presentes e muita diversão. Foi assim que 78 crianças e adolescentes de sete abrigos da cidade passaram o dia ontem, durante o 2.º Encontro de Abrigos de Bauru, realizado no Fortaleza Atlético Clube, na Vila Falcão. Um dos objetivos da festa é tornar possível o reencontro entre irmãos que acabam separados ao serem acolhidos em abrigos diferentes.

O critério de acolhimento varia com base na distinção de idade, sexo e até mesmo situação comportamental. O fato contribui para que haja o distanciamento entre esses irmãos, que acabam se vendo somente em audiências.

“É a primeira vez que participo de uma festa com meu irmão. Estava com muita saudade dele. Muito bom encontrá-lo”, disse uma das crianças, de 8 anos, que participava da festa, enquanto arremessava uma bola de plástico para o irmão, de 11 anos (em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente, as identidades foram preservadas).

Os dois estão há cerca de cinco meses no abrigo. “Sinto muita falta dela. Hoje a gente vai aproveitar para brincar o dia todo”, disse o menino, já abraçado com a irmã.

Observando a criançada na piscina, uma adolescente de 16 anos, que está em um abrigo há seis meses, também aproveitou o evento para matar a saudade do irmão, de 12 anos. “É difícil ter oportunidade de vê-lo”, disse. Já o garoto elogiou a entidade que o acolheu. “Lá é bom, mas falta a minha irmã”, disse.

Festão

O 2.º Encontro de Abrigos de Bauru é promovido pelos grupos Tricoteiras do Face e Esquadrão do Bem, com apoio do Clube Fortaleza e do Restaurante do Cícero, que faz o almoço para as crianças. “Tem pipoca, cachorro-quente, entrega de presentes. Tudo isso por meio de doação”, explicou Tatiana Calmon, uma das organizadoras da festa.

As doações foram tantas, que garantirá mais festividades na cidade. “Vai ser possível fazer mais  eventos para as crianças em todas as favelas de Bauru”, completou Maria Inês Faneco, também voluntária na ação.

Experiência própria

Hoje com 27 anos de idade, o educador social Cristiano Lopes sabe muito bem como é a realidade das crianças que participavam do encontro ontem. Acolhido com cinco anos, decidiu permanecer no abrigo quando atingiu a maioridade, porém, trabalhando.

“O abrigo foi fundamental para minha formação como pessoa e, agora, como profissional. Tive bons exemplos e sou realizado na vida. Inclusive, já me casei. Agora tento passar isso para as crianças”, disse.

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