Fotos: Malavolta Jr. |
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Pessoas nadam na Quinta da Bela Olinda, o que é proibido e arriscado |
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A mototaxista Sabrina Reis ingere muita água e usa roupas adequadas |
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José Severino da Silva vende 100 litros de garapa por dia |
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Adriana Ribeiro de Souza tenta driblar o sol e o forte calor |
Bem-vindo ao “Deserto Bauru”. Se você teve a impressão que iria derreter ontem, não foi para menos. A cidade cravou a temperatura mais alta desde que o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru começou a arquivar e avaliar os registros, em 2001. Assim, trata-se do dia mais quente, no mínimo, dos últimos 13 anos. Em meio ao contexto, quem escapa do rodízio que começa hoje (leia mais abaixo), pode se considerar em um “oásis”.
Em todos os dados históricos do IPMet, não há temperatura maior que os 39,2 graus registrados exatamente às 15h10 de ontem. Ela supera em 1,7 grau a temperatura de segunda-feira. Um aumento relevante de apenas um dia para o outro. Vale destacar que, conforme explica o IPMet, a medição do órgão é realizada por padrões internacionais. Ou seja, feita à sombra e dentro de um imóvel. Assim, em alguns lugares da cidade, a temperatura ultrapassou essa marca.
De acordo com o meteorologista do órgão Fernando de Almeida Tavares, outro termômetro do próprio IPMet chegou a registrar 39,6 graus, entre 12h e 13h de ontem. Além do forte calor, o clima de deserto também foi produto da baixa umidade relativa do ar. Ontem, atingiu 14%, índice considerado estado de alerta. Agora imagine trabalhar nas ruas sob o forte sol? Foi assim o dia de milhares de bauruenses.
Muito quente
No Calçadão da Batista de Carvalho, no Centro, o calor era tão intenso que a maioria dos pedestres procurava caminhar pela sombra, deixando a área central da via quase deserta. Contudo, não foi apenas no Centro que as pessoas sofreram. Na Lagoa Quinta da Bela Olinda, alguns se arriscaram a a nadar no local proibido, colocando a vida em risco.
Para driblar o sol e o calor, o vendedor de garapa José Severino da Silva, 67 anos, que trabalha em uma barraca no Calçadão há mais de uma década, usa boné, óculos escuros e consome até quatro litros de água por dia. Severino, porém, não estava triste. É que é nessa época que ganha um dinheirinho a mais. “Quando está muito calor, eu vendo 100 litros de caldo de cana por dia e atendo cerca de 300 pessoas”, conta.
Hidratação não é só o forte do vendedor de garapa. Sabrina Reis, 27 anos, é mototaxista e aproveita as horas vagas para beber bastante água. “Uso óculos escuros, mangas longas e protetor solar também”, descreve.
Sabrina não está sozinha quando o assunto é fugir do sol. Adriana Ribeiro de Souza, ajudante de serviços gerais, limpa as áreas onde não há sombra de manhã, quando o sol está mais fraco. “É uma maneira de driblar o calor”, confessa.
Para a proteção
Muitas empresas dão subsídios aos funcionários para que consigam driblar o calor. No caso dos Correios, são disponibilizados filtros solares, óculos escuros, uniforme com tecido que não retém calor, bonés e chapéus. Quanto à prefeitura, os trabalhadores têm protetor solar, óculos de segurança, touca árabe com aba frontal e chapéu de palha, além de orientação sobre hidratação e como utilizar os equipamentos.
Já a Emdurb fornece uniformes adequados, protetor solar com filtros 30 e 60, além de garrafas de água. A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb), por fim, disponibiliza cortinas e ventiladores em todos ônibus do transporte público coletivo para os motoristas.
Previsão
A temperatura máxima desta última terça-feira não tem chance de diminuir. A previsão do IPMet para os próximos dias é de temperaturas máximas chegando a 38 graus e mínimas a 20. A umidade relativa do ar fica entre 15% e 25%. Não deve haver nada de chuva ou vento, nem mesmo nuvens, tendo em vista que a nebulosidade também deverá ser baixa. Esse cenário deverá valer até o dia 20 deste mês.



