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9 em cada 10 crianças têm o professor como exemplo

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Quioshi Goto

Francisca, com o carinho dos alunos: mais de 30 anos de magistério

Apesar dos grandes obstáculos encontrados, o professor ainda é considerada um exemplo para os alunos. É o que revela pesquisa realizada com dados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp): nove em cada dez crianças da rede estadual de ensino apontaram o docente, cujo dia é comemorado hoje, como um espelho a ser seguido.

A informação é da assessoria de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. As perguntas feitas no questionário deram voz aos gostos e perfis de 316 mil alunos matriculados nos 2.º, 3.º e 5.º anos do Ensino Fundamental da rede estadual. Para 94% , o professor é o principal incentivador dos estudos. 96% responderam que gostam de ir à escola e encontrar o educador.

E é talvez essa realidade de que ainda faz com que os docentes continuem dedicados à profissão. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria da Educação do Estado, em 2013, de um total de 3.690 docentes da rede de ensino de abrangência da Diretoria Regional de Ensino (DRE), apenas 35 pediram exoneração de seus cargos.

Em comemoração ao dia daqueles que escolheram a profissão que dá a base para o futuro, o JC foi a escolas e encontrou muita gratidão vinda dos alunos e pais. Gratidão que compensa as dificuldades rotineiras da profissão.

Gerações

A história da professora Maria Francisca Mota Mancilha, 50 anos, começou quando ela ainda tinha apenas 18 anos. Moradora de Passa Quatro, em Minas Gerais, a profissão era tradicional entre as tias e a mãe. Inspirada, ela também resolveu seguir a carreira do magistério. Hoje soma 30 anos de profissão.

“Eu venho de uma família de professoras, digo professoras porque não tinham muitos homens na profissão, naquela época. Cresci brincando de dar aulas. Acho que a figura do professor é essencial pelo que ela significa”, aponta a professora de geografia, que, hoje, passa seu conhecimento em uma escola de Bauru.

Mãe de dois filhos, Lucas, de 21 anos, e Camila, 19 anos, ela sorri ao ser questionada pela reportagem se algum deles queria ser professor. “A Camila fala que quer seguir a carreira. O Lucas está cursando engenharia de produção”, finalizou.


‘Eles fazem parte da educação e também da família’

Bianca Fogaça, 36 anos, tem duas filhas: a Rebeca, de 11 anos, e a Sara, de 3, ambas matriculadas em escolas públicas de Bauru. Ela se lembrou do forte laço que o professor firma com o aluno, principalmente pelo fato de a criança passar grande parte do dia na escola, longe da família.

“Temos professores que deixam aquele amor para a vida toda. Eles fazem parte da educação e também da família. Os professores que tive na minha infância me marcaram e estão até hoje na minha memória. Eles devem impor respeito e serem respeitados também”, enfatizou.

Gisela Sabino, 40 anos, mãe de Larissa, 8, e de João Pedro, 11, complementa o com o mesmo pensamento. “Entregamos os nossos filhos a eles para que tenham conhecimento. Os pais devem sempre estar atentos e acompanhar os pedidos dos professores, principalmente com relação à disciplina dos alunos nas salas de aula”.


Amor de mãe

A secretária municipal de Educação, Vera Casério, define a carreira de professor como um amor de mãe e filho. “É um lado da minha própria vida. Sou secretária municipal e trabalho em universidade, mas eu sou professora. Sou daquelas que fazem a opção por ser professora”, destaca.

Ela acredita que, mesmo com os obstáculos, o “amor” fala mais alto. “Apesar das dificuldades e da desvalorização, vemos o interesse na quantidade de pessoas que se inscrevem nos concursos e permanecem nos cargos. O professor tem um amor de mãe e quem ama não desiste, apesar das dificuldades. Quem ama cuida”.


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