Regional

Suspeito de pedofilia morou em Lins

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Um profissional da área de saúde, ex-morador de Lins (102 quilômetros de Bauru), é investigado pela Polícia Federal (PF) por suposto envolvimento em rede de pedofilia que compartilha imagens de pornografia infantil por meio de ambiente conhecido como Deep Web, ou “Internet profunda”. Ontem, durante Operação Darknet, policiais federais de Bauru foram até a cidade para cumprir mandado de busca na casa do suspeito, mas ele havia mudado de endereço.

A operação da PF busca confirmar identidade de suspeitos e elementos que comprovem os crimes de armazenamento e divulgação de imagens de abuso sexual de crianças e adolescentes. No total, foram cumpridos mais de 100 mandados de busca, prisão e condução coercitiva em 18 estados e no Distrito Federal, com a participação de mais de 500 agentes.

Na capital paulista, 24 mandados foram cumpridos e 11 pessoas foram presas. No interior do estado, foram cumpridos 14 mandados de busca por equipes das delegacias da PF de Campinas, Cruzeiro, Marília, Ribeirão Preto, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Sorocaba, Araçatuba, Araraquara e Bauru, que resultaram em sete prisões em flagrante.

Na região de Marília, uma pessoa foi presa em Adamantina. Na área de abrangência da Delegacia da PF de Bauru, não ocorreram prisões. Os agentes foram até Lins para tentar cumprir mandado de busca na casa de profissional da área de saúde de cerca de 26 anos, investigado por suspeita de envolvimento na rede de pedofilia, mas ele não foi encontrado.

“Foi constatado mudança de endereço recente para São Paulo. Foi obtido o novo endereço e o mandado já foi aditado para cumprimento agora por São Paulo”, explica o delegado federal de Bauru Murilo Almeida Gimenes. Segundo ele, o suspeito foi flagrado durante investigações acessando e compartilhando imagens com conteúdo de pornografia infantil.

Chocantes

Entre os mais de 50 presos em flagrante durante a Operação Darknet, de acordo com o delegado, estão profissionais da área de saúde, policiais e até padres. “Tinha cenas bem chocantes envolvendo bebês”, revela.

“Todos os alvos acessavam a Deep Web, ‘Internet profunda’ que não é indexada por buscadores e é criptografada. Precisa de programa específico para entrar nessa rede e você tem que digitar endereços específicos com outra configuração que não a que a gente está costumada a navegar na Internet comum. É um terreno fértil para diversos tipos de ilicitude, principalmente pedofilia”.


Rastreamento de ‘submundo virtual’ é pioneiro no Brasil

Pela primeira vez em operações de combate à pornografia infantil, a PF rastreou o chamado Deep Web, considerado um meio seguro para que usuários da Internet divulguem anonimamente conteúdos variados. A arquitetura desse ambiente impossibilita a identificação do ponto de acesso (IP), ocultando o real usuário que acessa a rede.

Nas investigações, iniciadas há cerca de um ano, os policiais federais conseguiram identificar mais de 90 usuários que compartilham pornografia infantil. Até o momento, segundo a PF, somente as polícias dos Estados Unidos e Inglaterra realizavam investigações de crimes praticados através da Deep Web.

Durante um ano, pelo menos seis crianças foram resgatadas de situações de abuso ou do iminente estupro, em diversos locais do país. Num dos casos, o pai relatava que iria abusar da filha assim que ela nascesse. Nesses episódios, policiais federais agiram e evitaram que as crianças se tornassem vítimas, prendendo quatro investigados.


Brasil e Exterior

A Operação Darknet foi deflagrada simultaneamente por 44 unidades da Polícia Federal (PF) nos estados do Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Informações obtidas durante investigações que envolvem suspeitos de outros países foram repassadas para autoridades de Portugal, Itália, Colômbia, México e Venezuela.

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