Cultura

Preparem os seus lenços!

Por Rodrigo Zavala | Cineweb
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de renascer nas franquias “Homem de Ferro” e “Sherlock Holmes”, o ator Robert Downey Jr. parece ter sido forjado para realizar um papel: o de homem rico, espertalhão e um tanto excêntrico. Em “O Juiz”, que estreia hoje nos cinemas bauruenses, drama familiar sobre perdas e aceitação, o molde não é muito diferente.

Aqui, ele faz o papel de Hank Palmer, um afiado advogado que enriqueceu defendendo milionários acusados (e claramente culpados) de sonegação fiscal. Um verdadeiro escroque, que faz de promotores públicos motivo de chacota, enquanto se vangloria de sua perspicácia, bens e da esposa modelo.

No entanto, quando sua mãe morre, ele precisa voltar à sua cidade natal, no interior de Indiana, para o velório e confrontar a família que, aparentemente, abandonou. Nas relações com os irmãos, mas principalmente com o pai (Robert Duvall), um rígido juiz local, há uma clara atitude passivo-agressiva, que alerta o espectador sobre fatos traumáticos no passado desses personagens.

No decorrer da viagem, enquanto Hank já se prepara para ir embora, o juiz é acusado de homicídio, por ter atropelado, sem prestar socorro, um homem na estrada – que acaba morrendo. O processo se torna certo quando se descobre a identidade do morto, que fora condenado, anos atrás, pelo próprio juiz, em um conturbado caso, e que acabara de sair do presídio.

A escolha de Hank de representar o pai não apenas o envolverá no processo criminal, mas será um catalisador dos dramas familiares não resolvidos. Na resolução desses conflitos, ainda haverá tempo de rediscutir os próprios rumos de sua vida a partir do reencontro com uma antiga namorada de juventude, Samantha (Vera Farmiga).

Para chorar

Dirigido por David Dobkin, responsável pela história e conhecido por comédias irregulares como “Penetras Bons de Bico” (2005) e “Eu Queria Ter a Sua Vida” (2011), a produção foi feita para chorar. Dobkin usa, aqui, todos os artifícios que pode para fazer o espectador se comover, seja nas poucas sutilezas da trama (doença terminal, culpas cortantes, arrependimentos, lições de vida etc), seja na técnica, pela tocante trilha sonora e acertado jogo de câmera.

Mas os melhores recursos do diretor são mesmos os seus atores, em especial o veterano Robert Duvall, dando sustentação às relações que se veem na tela. Este elenco faz de “O Juiz” senão uma obra madura, pelo menos sensível e, possivelmente, dilacerante para aqueles que se identificarem com a mensagem final edificante.

Cage em Fúria

Outra estreia de hoje em Bauru é o longa “Fúria”, em que um pai busca vingança após o assassinato da filha. Estrelada por Nicolas Cage, a produção acompanha o martírio de Paul Maguire, um rico empreiteiro e pai superprotetor de Caitlin (Aubrey Peeples). Apesar do passado criminal, quando fez parte da máfia irlandesa que domina a cidade, hoje é um benfeitor e filantropo. Daí a surpresa quando a adolescente é sequestrada e, mais tarde, encontrada morta. Aparentemente não há motivos, mas Paul está determinado a encontrar os responsáveis pelo crime e reúne a velha patota para se vingar. O foco central é a beligerante máfia russa, liderada por Chernov (Pasha D. Lychnikoff), que se liga a Paul por um crime nunca resolvido.

Reprodução Internet

No longa que estreia hoje em Bauru, Robert Downey Jr. interpreta advogado que defende o pai, um rígido juiz (Robert Duvall), de acusação de homicídio


 

 

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