O aposentado Nelson Prado Sampaio Filho acompanha a história do Jahu Club desde a infância. Frequentava a sede social com o avô e depois com o pai. Fez o mesmo com o filho que hoje é o presidente do clube.
Ele conta com saudade que por dez vezes presidiu o clube e que houve um momento que os associados mais jovens queriam uma sede esportiva. “O clube ficou pequeno porque a sociedade crescia, tinha um clube bonito mas não tinha atividades esportivas para os jovens.”
À época o Jahu Club tinha 100 sócios, porém nenhum pagava, mensalidade. “Nessa época o café era ouro. O pessoal tinha muito dinheiro. A gente passava o chapéu e o caixa fechava. Fizemos muitas festas de réveillon. No dia 1 de cada ano fazíamos a festa para a criançada.”
As marcas do auge do clube podem ser conferidas na sede social, onde a escadaria é feita em mármore, o corrimão em madeira maciça assim como as mesas, cadeiras, portas, revestimento de parede. “O projeto é do escritório de Ramos de Azevedo. Aqui tem muita imbuía, peroba rosa, tudo é original da época. O prédio foi tombado.”
Uma chapeleira enorme no hall de entrada do salão principal sinaliza que os frequentadores eram da elite da cidade. “Todo mundo usava chapéu e bengala. No local onde hoje é um elevador havia outra chapeleira onde as mulheres guardavam suas estolas de pele. Elas vinham aos bailes de vestidos longos e muito bem vestidas. Muitos deles vindos de Paris, onde elas costumavam passear.”
O elevador, lembra Nelson Filho, não tem a mesma idade do imóvel. “Chegou uma época que os velhos não conseguiam subir a escada. Como havia muito dinheiro à época, mandaram fazer o elevador. O clube era ponto de encontro de políticos e autoridades que visitavam a cidade. O Carvalho Pinto, Jânio Quadros dentre outros.”
Os móveis foram feitos no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. São da época da fundação, 1915. “Esse trabalho feito na madeira não se faz mais. O clube é estilo londrino, pouco frequentado pelas mulheres até hoje. Elas vinham aos bailes e eventos. Os homens vinham constantemente para jogar baralho, fumavam. Enquanto as mulheres ficavam em casa cuidando de seus filhos. A família era grande, a maioria tinha mais de seis filhos.”
Decadência do café
No ano de 1929 começou a decadência do café e a crise quebrou o País. “Quem tinha café quebrou junto. Meu avô tinha quatro fazendas entrou na crise saiu com um sítio. Perdeu tudo, não valia mais nada. O café valia R$ 10 por exemplo, passou a valer centavos. Como era a única renda que o sujeito tinha, ele ficou sem nada. Foi um desastre total na cidade, quebradeira geral. Teve suicídio, morte não só em São Paulo, nos Estados Unidos também.”
Atualmente a cidade de Jaú vive outra crise. “Estamos enfrentando de novo um sério problema. Aqui tinha cana que foi mecanizada e levou o emprego da população mais simples. A indústria de sapato está fechando. Já fecharam mais de 100 das 200 existentes .”