Irão a júri popular os cinco militares acusados de matar o adolescente Carlos Rodrigues Júnior, o “Juninho”, durante ação policial em sua casa, no Núcleo Mary Dota, em 2007. A decisão foi proferida na semana passada pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Bauru, Benedito Antonio Okuno.
Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, Gerson Gonzaga da Silva, Maurício Augusto Delasta, Juliano Arcângelo Bonini e Emerson Ferreira serão julgados por homicídio qualificado (por não terem dado chance de defesa à vítima) e por crime de tortura. Se nenhum atenuante for considerado, as penas para cada um poderão ser de 14 a 38 anos de reclusão.
Os réus, no entanto, aguardarão o julgamento em liberdade. O PM Ricardo Ottaviani, que também acompanhou o grupo durante a ação, não responderá pelos crimes porque, segundo o magistrado, não houve provas de que ele tenha participado das agressões.
Caso
Na madrugada de 15 de dezembro de 2007, os seis policiais militares foram até a casa do adolescente, que era suspeito de ter roubado uma motocicleta no Centro, no dia anterior. Eles entraram na residência da família, onde estavam Júnior, a mãe e a irmã dele.
O rapaz ficou trancado no quarto na companhia de cinco policiais, enquanto Ottaviani teria ficado na sala para impedir que os familiares interviessem. De acordo com o Instituto Médico Legal, Júnior levou ao menos 15 choques elétricos, que provocaram sua morte.
Os seis policiais foram presos em flagrante e, posteriormente, colocados em liberdade. Todos foram expulsos da PM. A motocicleta roubada foi encontrada no quintal do adolescente e a vítima do assalto o reconheceu como autor do crime.