Quando vemos uma corrida de Fórmula 1, nem fazemos ideia da complexidade que é montar uma escuderia. Essa difícil tarefa foi proposta pela primeira vez no Brasil. E estudantes com idade entre 10 e 16 anos da escola FourC Bilingual Academy, de Bauru, encararam o desafio. Eles concorrem a prêmio mundial, com direito a bolsa de estudo em uma universidade de tecnologia da Inglaterra. O projeto, intitulado como F1 in Schools, existe há 12 anos.
Quem fez o convite ao colégio bauruense foi uma equipe de coordenação da própria Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Para concorrer com a FourC, foi escolhido o Colégio Bandeirantes, da Capital.
Hoje, em São Paulo, Bauru pleiteia a vaga para a disputa mundial, que acontecerá de 16 e 22 de novembro, em Abu Dhabi, com uma escuderia de 11 alunos. O Colégio Bandeirantes tem cinco escuderias. Todas as equipes devem projetar um pequeno carro de Fórmula 1 (leia mais ao lado).
A diretora geral da FourC, Sara Hughes, explica que foram os próprios alunos que quiseram participar, quando surgiu o convite. “A escola sempre está participando de projetos diversos e essa reputação foi fundamental para que a coordenação nos procurasse”.
Passo a passo
Os alunos tiveram que seguir cada passo para construir a escuderia. O primeiro deles foi dividir as tarefas, explicou o professor de matemática e coordenador do grupo, Francisco José Braga Ferreira.
Em seguida, foi a vez de criar a logo, cujo pensamento inicial veio da Ferrari, que tem o desenho de um cavalo. Três animais foram escolhidos, até chegar ao Pegasus, um cavalo alado. Por fim, depois de votação aberta na escola, com 400 votos, o nome escolhido foi Pegasus Racing Team.
Em sua página no Facebook, a equipe definiu que a escolha representa muito da simbologia do cavalo: lealdade, força, resistência e velocidade. As asas representam liberdade e espírito altivo.
Através de videoconferência com uma escuderia da Grécia, que participou do evento no ano passado, e também com muita pesquisa, em quatro meses tudo ficou tudo pronto. “Eles tiveram que conseguir apoio e patrocínio, além ter muita organização. Surpreendentemente, os estudos deles melhoraram muito”, complementou a diretora Sara Hughes.
‘Gente grande’
Apesar de serem ainda adolescentes, os alunos fizeram um trabalho de “gente grande”, conforme conta o estudante Pedro Egídio Piccino Marafiotti, 16 anos. Ele escolheu a função de relações públicas e faz parte da equipe do marketing.
“Desde o início do projeto, escolhi essa área porque eu gosto. A parte mais difícil foi fazer o portfólio final, que tem 20 páginas. Ele tem tudo sobre o projeto, foi muito difícil resumir todas as informações em poucas páginas. Também tivemos que fazer um plano de marketing e um plano de mídias sociais”, contou.
Com a experiência, Victor Toledo Soares Cintra, 13 anos, chefe da equipe, já sabe qual profissão quer seguir. “Eu já faço um curso de programação de jogos aos sábados, em São Paulo. Com todo esse conhecimento que eu obtive no projeto, decidi que quero estudar administração ou economia e ter a minha própria empresa neste ramo”.
Acelerando
Depois de tantos estudos, os alunos tiveram até que aprender a projetar em um programa para profissionais do ramo. O protótipo é feito de madeira balsa, rodas de resina e eixos de metal. O carrinho da escuderia Pegasus tem 21 centímetros de comprimento, por sete centímetros de largura e cinco centímetros de altura.
Embaixo dele vão ganchos que são presos a fios de nylon para que o carrinho não levante do solo. O que dá a velocidade é um pequeno cilindro de gás carbônico, que vai acoplado no carro. Os últimos testes da equipe bauruense chegaram a 90 quilômetros por hora.
A competição acontecerá hoje, na Faculdade Impacta, em São Paulo, que possui uma pista de 20 metros para esse tipo de teste. Além da maior velocidade do carrinho, todo o projeto faz parte da nota final.