Encaro como avanço a participação das pessoas em temas políticos. Temos presenciado mais pessoas se mobilizando, seja através das manifestações de junho do ano passado, seja em discussões do dia a dia, ou mesmo nas rede sociais. Mas um cuidado a tomar é entender até que ponto isso é positivo. As eleições do Brasil bateram recorde de interações no Facebook durante uma eleição. Foram 647,4 milhões de comentários, curtidas, publicações e compartilhamentos, que envolveu 48,3 milhões de pessoas. O número foi três vezes maior do que o recorde anterior, nas eleições da Índia, no início deste ano, país que tem o dobro de internautas.
Nenhum candidato, seja quem for, pode se eximir da informação. Sejam obras não entregues ou polêmicas da antiga gestão. Mas no tempo em que notícias oficiais se acotovelam com piadinhas, declarações de preconceito e boatos na timeline do leitor, me pergunto: como fica a população? É de admirar que a mesma rede social usada para rechaçar o preconceito sofrido pelo jogador Aranha através da torcedora do grêmio seja palco para humilhações e desmerecimento do nosso povo nordestino. Meu desejo é que a discussão política fuja da similaridade com a disputa esportiva. Sim, a Copa do Mundo continua campeã de interações no Facebook, com mais de 3 bilhões de interações, segundo a rede social. Mas não há nada a se comemorar no campeonato de links compartilhados sem que as pessoas tenham sequer lido seu conteúdo e, principalmente, questionado seu teor. Isso se vê por aí direto, desde ?notícias? tendenciosas a jornais que ninguém nunca ouviu falar. O velho ditado diz que religião e política não se discutem. Política se discute, sim! Tendo acesso à informação, mas acima de tudo, questionando-a.
Daniel Melos, estudante de jornalismo da USC