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AVC mata 1 bauruense a cada 2 dias

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). A data foi criada com o objetivo de difundir informações e prevenir. Prevenção mais do que necessária. Só em Bauru, de acordo com um levantamento do município, a cada dois dias, uma pessoa morre vítima de AVC.

Os dados do Sistema de Informação Sobre Mortalidade são atualizados até o último dia 23. Só neste ano, Bauru somou 123 mortes por AVC. Em comparação a anos anteriores, uma boa notícia: a soma vem diminuindo. Em 2009, foram 177 mortes; 2010 somou 171 vítimas; 2011 fechou com 173 mortes; 2012 teve 172 casos fatais; e 2013, 179 mortes.

Os fatores de risco para a doença são muito parecidos com os que causam os ataques cardíacos: hipertensão arterial, colesterol elevado, fumo, diabetes, histórico familiar, ingestão de álcool, vida sedentária, excesso de peso e estresse.

O neurologista Adriano de Paula Galesso explica que a tecnologia evoluiu muito nos últimos anos, o que permitiu melhores resultados com os pacientes acometidos. “As condições hospitalares melhoraram muito. A tecnologia e os medicamentos também, isso permite uma melhor recuperação do paciente”.

Jovens

O AVC ainda é a segunda principal causa de morte no mundo em pessoas acima de 60 anos. Mas, diferente do que muitos pensam, os jovens também estão “na mira” .

“O AVC ainda é a quinta maior causa de mortes em jovens no mundo. A incidência nestes pacientes tem aumentado muito. Nos hospitais vemos pessoas jovens com AVC que são hipertensas, obesas, tabagistas. O idoso, por saber que pode estar no fator de risco, se cuida mais que o jovem”, explica Galesso.

Os sinais clássicos para reconhecer um AVC são a perda de movimentos da face, mãos e pernas. Apesar disso, há casos em que a lesão cerebral não envolve muito a área motora. Até uma simples tontura pode ser sinal de AVC.

“É sempre bom procurar o médico para saber. O colesterol, por exemplo, aumenta as placas de gordura nas paredes das artérias, o que fica mais fácil de causar o entupimento. O cigarro também faz isso. A bebida alcoólica. As drogas também provocam alteração dos vasos”, conclui o especialista, apontando alguns fatores de alerta.


 

Divulgação/SW

Médico Adriano Galesso alerta para os cuidados com a saúde

Prevenção e tratamento

É possível diminuir consideravelmente os riscos de um AVC. Basta manter uma vida saudável, conseguir driblar o estresse, alimentar-se bem e ter uma rotina simples de exercícios físicos: uma caminhada já basta. Para quem já possui outras patologias como, por exemplo, a hipertensão e diabetes, é preciso também manter o controle desses problemas.

O tratamento para os casos isquêmicos é a ingestão de antiagregantes plaquetários (que afinam o sangue) e vasodilatadores. Já para os hemorrágicos, a solução muitas vezes é cirúrgica. “Se o sangramento for grande, é preciso drenar esse sangue e, muitas vezes, fechar a artéria. Quando o caso é menos grave, costumo dizer que é como um hematoma comum, o próprio organismo absorve o sangue e regenera o vaso ou a artéria”, salientou o neurologista.

Entretanto, casos mais graves costumam deixar sequelas como paralisias e dificuldades de fala.


 

Arquivo/Aceituno Jr.

Carlos Silva se aposentou e agora cuida melhor da saúde

‘Digo que, apesar de tudo, a doença me ensinou’

Ficar à frente da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru e da Delegacia Seccional de Jaú deram muito mais do que 39 anos de profissão para Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva. Além do sentimento de dever cumprido e auxílio à sociedade, o estilo de vida lhe trouxe problemas na saúde. O fato de ser diabético, ter poucas horas de sono e muita dedicação resultaram em dois AVCs. Um deles, Carlos nem percebeu que aconteceu.

“Em maio de 2012, eu tive uma isquemia. Um AVC mais fraco. Acordei pela manhã, estava me sentindo mal e não estava conseguindo abotoar o botão do colarinho da camisa. Sentia algo no lado esquerdo inteiro, principalmente na mão e na perna. Fui na Santa Casa de Jaú e fiquei 10 dias internado, recebendo medicamentos e depois só o soro mesmo”.

Depois deste período no hospital, sem sequelas, Carlos recebeu alta médica com algumas condições: deveria ficar um tempo sem trabalhar e cuidar de sua saúde. Ao passar pelo médico, ele descobriu que já tinha sofrido outro AVC anteriormente, mas não percebeu os sintomas.

“O médico me disse que, se eu não me cuidasse, eu poderia morrer. Eu não tinha horário para comer, dormir e ficar com a minha família. Digo que, felizmente, apesar de tudo, a doença me ensinou isso. O remédio meu é uma caminhada de 30 minutos que faço na companhia de meu filho. Depois de 39 anos de delegado, decidi me aposentar. Sou grato a tudo que fiz e vivi na polícia, mas estava na hora de descansar”, finalizou.

 

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