As eleições mais disputadas da jovem democracia brasileira têm provocado reações vergonhosas de parte de nossa elite. Muitos pré-conceitos têm aflorado de forma primitiva por setores que não compreendem o sentido democrático, onde a maioria vence e governa, sendo o princípio básico de nosso sistema.
O ódio, o sentimento de aversão, tem desmascarado uma parcela elitista de nosso país. Esses bastiões do pré-conceito social não admitem a elevação social daqueles que sempre foram marginalizados pelos consecutivos governos. Indignados por verem seus privilégios ameaçados, pregam o ódio e radicalismo contra aqueles que ousam não concordar com seus anseios mesquinhos de um apartheid social.
E inaceitável o acesso ao ensino superior para aqueles que nasceram para serem eternos vassalos de nossa elite. Não perdoam que o filho do trabalhador compartilhe o mesmo ambiente acadêmico dos filhos da elite. Intolerável do mesmo modo ver determinadas pessoas adentrarem em aeroportos e viajarem juntas em ambientes antes exclusivos de afortunados. Repugnante subsidiar casas para pessoas que não mereciam nem a abolição da escravatura.
Adjeto criar escolas técnicas para essa gente que agora ousa fazer três refeições por dia. Insuportável essa gente do nordeste ter os mesmos direitos que as elites e ainda eleger o presidente da República. Esse é o sentimento de xenofobia odiosa de parte de nossa elite, que esquece que somente as regiões Sul e Sudeste deram 26,7 milhões de votos para reeleição da presidente Dilma Rousseff.
Não compreendem que Dilma ganhou as eleições em Minas Gerais com 52%, tendo mais de 6 milhões de votos; ganhou no Rio de Janeiro com 55%, tendo mais de 4,5 milhões de votos; obteve de São Paulo 36%, com mais de 8,5 milhões de votos.
É mais fácil destilar seus sentimentos primitivos ao Nordeste. Essa é a elite odiosa que o Brasil infelizmente tem.
Henrique Matthiesen